A produção musical nos canais do YouTube (5/5)

Nos vídeos que estamos aqui analisando, muitas estratégias permanecem as mesmas: tanto Julia Nunes quanto a Pomplamoose fazem várias versões de músicas famosas. E se quando vamos a um show de uma banda desconhecida, as versões ajudam a entender as influências e propostas estéticas da banda, no YouTube o que acontece é que descobrimos a banda ao buscar pelo vídeo original, e a versão deles acaba aparecendo. Muitos conheceram Julia Nunes porque procuravam pelos Beach Boys. Daí para assistir as músicas próprias dela nos vídeos relacionados é um pulo. Os músicos também têm a noção de que os canais servem mais para quem realmente se interessou no seu trabalho. A atenção é chamada primeiro via palavras-chave. Depois, o músico tenta convencer, no final do vídeo, ao falar com o espectador, que assine seu canal e veja outros vídeos. O que Boyd fala sobre a busca na web também se aplica neste caso:

No mundo digital, costumamos usar a busca para procurar estranhos com concepções similares do mundo. Nós decoramos nossos blogs e vagamos por outros blogs como flaneurs digitais. A blogosfera é a esfera pública imaginada, o lugar habitado por todos os corpos públicos digitais (2006, p. 19, tradução minha).

Assim como é comum em blogs os autores adotarem uma postura firme e manter um estilo de escrita, em boa parte dos trabalhos dos músicos citados neste artigo, podemos encontrar na totalidade de seus vídeos estéticas e técnicas que se repetem. No Pomplamoose, é o VideoSong; no Songs From a Hat, é o desafio de fazer uma música em cima de uma ideia absurda; nos vídeos da Julia Nunes, um primeiro plano tomado da web cam de seu notebook em que ela aparece cantando e tocando seu ukulele. Todos eles repetem a ideia desenvolvida por Lasse Gjerten em Amateur, de montar as canções no software de edição de vídeo, sem fazer playback. Essas propostas se repetem incessantemente em cada vídeo, e por fim o que parece mudar efetivamente são apenas as canções. “O que o público aprecia nessa espécie de consumo não é, em última instância, o fator ‘originalidade’, mas sim, talvez, ‘a repetição e suas mínimas variações’” (ECO apud FELINTO, 2008, p. 39).

É comum na web a exploração intensa de memes (eventos que são rapidamente disseminados pela rede). Em 2007, um vídeo em que aparece o personagem Seu Madruga do seriado Chaves cantando, mas com o áudio da música Florentina do artista brasileiro Tiririca desencadeou não só milhões de exibições, mas estimulou que muitos outros usuários usassem as mesmas imagens para fazer Seu Madruga cantar dezenas de outras canções. E este é só um exemplo; o mesmo ocorreu e continua ocorrendo com vários outros memes. Mais recentemente, um videoclipe novo da banda Radiohead em que o vocalista Thom Yorke aparece dançando freneticamente foi utilizado da mesma forma que com o Seu Madruga, resultando em vídeos nos quais o músico aparece dançando ao som de Single Ladies, Dancing Queen e até o tema de carnaval da Globo.

Como podemos notar, estamos diante de um cenário que abre novos caminhos para a música se manifestar, sofrendo irritações principalmente dos modelos de blog e rede social. Caminhos abertos por artistas ingênuos, que talvez pouco tenham estudado música ou audiovisual, mas estão na ponta da vanguarda, invertendo os tradicionais valores culturais. São tendências nestes vídeos o amadorismo, a agilidade, a baixa definição, o representar a si mesmo ao invés de representar o mundo. Sem dúvida estas são características compartilhadas com vídeo blogs e blogs escritos.

Referências Bibliográficas

BOYD, Danah. A blogger’s blog: exploring the definition of a medium. IN: Reconstruction: studies in contemporary culture, v. 6, n. 4, pp. 1-19, 2006. Disponível em: <http://reconstruction.eserver.org/064/boyd.shtml>. Acesso em 11 abr. 2011.

FELINTO, Erick. Videotrash: o YouTube e a cultura do “spoof” na internet. Revista Galáxia, São Paulo, n. 16, p. 33-42, dez. 2008.

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A produção musical nos canais do YouTube (4/5)

Tanto Abby Simmons como Pomplamoose registram seus vídeos em casa, na sala, na cozinha, no quarto, mostrando, após as canções, o “backstage” de seus vídeos: a vida cotidiana, o que dá uma característica intimista, um efeito reality show. Em paralelo, a ideia de que blogs são como diários íntimos é muito forte. Mesmo hoje, após o crescimento exponencial dos blogs jornalísticos, literários e outros, é comum a exposição íntima por muitos usuários. E nos vídeo blogs musicais não é diferente, como podemos ver. Mesmo os músicos que estariam preocupados mais em divulgar seu trabalho sucumbem à tentação de exibir um pouco de sua “vida real”.

Essa atitude de não sair do quarto faz lembrar Kilpp (2006, p. 10) quando fala da televisão. Para a autora, na maior parte do tempo, ao invés de a TV espelhar a sociedade, ela tem um espelho voltado para si, como acontece em programas como Video Show, TV Fama, Studio Pampa e Big Brother Brasil. A TV imagina a TV. É o que acontece também com os vídeo blogs e seus produtores: estão todos criando um universo à parte do mundo dito “real”, “offline”, como num sonho adolescente, fabricado por adultos que não querem envelhecer: “meu quarto, minhas regras”. Fugindo um pouco da música, não dá pra não mencionar os vloggers brasileiros de sucesso, como Ronald Rios e P. C. Siqueira: ambos num primeiro momento parecem falar com o internauta, mas ao ultrapassarmos a opacidade do teor conteudístico3, vemos que não passa de uma construção de imaginários. “É isso que, com a TV, estamos a perceber: que a nossa é uma época de espelhos virados” (KILPP, 2006, p. 10). Adicionemos aí os vídeo blogs.

Quando Julia Nunes (outro exemplo de sucesso, que faz seus vídeos usando o mínimo de software e apenas sua voz, um ukulele e alguns truques de montagem) faz vozes de fundo ao gravar uma versão de God Only Knows dos Beach Boys4, é interessante notar que na maior parte do tempo ela olha para a webcam (abaixo, à esquerda), mas às vezes desvia rapidamente o olhar para baixo (à direita).

 


 

Ela está olhando a sua própria imagem capturada, que aparece espelhada no monitor de seu notebook durante a gravação, cacoete que se repete durante a performance de muitos outros vloggers. Eis os espelhos virados da TV aparecendo em um novo formato. Se em reality shows como o Big Brother, em que as câmeras ficam escondidas por detrás de espelhos vazados, como os de inquérito policial, nos vídeo blogs eles são espelhos digitais, que permitem que o autor do vídeo seja diretor de si mesmo. Ele pode fazer tudo sozinho.

Isso exerce uma influência enorme nos modos de produção dos músicos. Repare que tanto Lasse Gjersten em Amateur, quanto nos VideoSongs da Pomplamoose, e nos vídeos de Julia Nunes, Tay Zonday e Abby Simmons, não estamos mais tratando de videoclipes no sentido tradicional do termo, porque as imagens que nos são mostradas foram tomadas exatamente no momento em que foram gravados os áudios. Não há playback. É um híbrido, uma performance “gravada ao vivo”. Todos eles não estão apenas se preocupando com a afinação, mas com o enquadramento também (o que deixa o vídeo ainda mais intimista).

Entendendo que os vloggers colocam “um espelho voltado para si diante da lente da câmera”, não é de se estranhar que, mesmo com todo o sucesso que os músicos de vídeo blogs conseguem, acabam estabelecendo parcerias justamente com outros vloggers, como se esse espelho fechasse as janelas para “o mundo lá fora”. A Pomplamoose praticamente atravessou os Estados Unidos de carro para encontrar Julia Nunes para gravarem canções juntos. É como aquela máxima “blogueiro cita blogueiro” (MALINI, 2008): eles não precisam da indústria fonográfica nem de outras mídias para se divulgar. Basta um linkar o outro. Isso demonstra a força do YouTube como rede social: pessoas com ideais comuns acabam se aproximando e se conhecendo, estabelecendo parcerias criativas.

Referências Bibliográficas

KILPP, Suzana. Panoramas especulares. In: UNIrevista, São Leopoldo, Vol. 1, n° 3, julho 2006.

MALINI, Fábio. Por uma Genealogia da Blogosfera: considerações históricas (1997 a 2001). In: XIII CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE, 2008, São Paulo, Anais, 2008, São Paulo: 2008.

A produção musical nos canais do YouTube (3/5)

Quando se trata de blogs, uma das definições mais aceitas entre pesquisadores é a da organização cronológica: “as últimas atualizações aparecerem no início do site e as mais antigas abaixo, e cada bloco de texto é obstinadamente encabeçado pela data (e horário) da publicação” (SIBILIA, 2005, p. 48). Nos canais do YouTube, a ordem cronológica está lá no registro de cada vídeo, mas não é relevante para os músicos. O vídeo atual é destaque, mas os antecedentes não aparecem em ordem cronológica na barra direita. E mesmo que estivessem, pelo menos para boa parte dos músicos, não faria muita diferença – afinal, as canções devem ser atemporais – o usuário navega pelos vídeos dos canais como navega por um CD, de faixa em faixa.

Mas há também os músicos que tentam evidenciar uma cronologia em seu trabalho, como exemplo do canal Songs from a hat, de Abby Simons, cujo projeto, finalizado, utilizava um método de criação de músicas desafiando seus assinantes: em vídeos musicais de periodicidade semanal, sugere ao espectador inserir um possível título de música nos comentários do vídeo. Na semana seguinte, ela imprime os títulos sugeridos em tiras de papel, as coloca em um chapéu, e sorteia uma, que será tema e título de uma música que ela deve compor e publicar no YouTube em uma semana. O projeto terminou no 35º episódio. Sabendo que o YouTube não indica a data dos vídeos, especialmente na busca, Abby os numerou em seus títulos.

Embora os músicos tenham de recorrer a artifícios para explicitar que seu canal é um vídeo blog, no topo de cada vídeo aparece o nome do canal. Mesmo quando o usuário não acessa o canal, ele exerce sob o vídeo uma espécie de “entidade”, o significa, o emoldura (KILPP, 2005). Como acontece muito de um mesmo vídeo ser duplicado por outros usuários (o que acontece mais com digitalizações de programas da TV), funciona como uma espécie de assinatura do autor do vídeo, a garantia de que foi feito por ele.

Referências bibliográficas

KILPP, Suzana. Mundos televisivos. Porto Alegre: Armazém Digital, 2005.

SIBILIA, Paula. A vida como relato na era do fast-forward e do real time: algumas reflexões sobre o fenômeno dos blogs. Em Questão, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. 35-51, jan./jun. 2005.

 

 

 

 

A produção musical nos canais do YouTube (2/5)

Seguimos a empreitada para compreender os canais do YouTube como redes sociais que colaboram nas estratégias dos músicos.

Acesse o canal do YouTube da banda Pomplamoose. Repare que ele, como todos os outros, é dividido em duas metades, que mostram as possibilidades de navegação como rede social/blog: na primeira, que mostra o topo do canal, como muitos blogs, possui um cabeçalho com logotipo, seguido do vídeo (post) mais recente, com links ao lado para posts anteriores.

Logo abaixo, vem o perfil do canal, num formato mais similar ao de uma rede social como o MySpace: à esquerda, foto do perfil e as possibilidades de adicionar como amigo, dados e estatísticas e outras informações. À direita, os canais pessoais dos músicos e outros trabalhos paralelos, seguido dos canais que a banda assina, os usuários que assinam o canal, e enfim uma lista de comentários do canal.

Esse misto de blog e rede social começa a gerar perguntas: afinal é um ou outro? Essas definições que tentamos dar acabam diluídas nas práticas. No MySpace, por exemplo, há a opção de inserir um blog em seu perfil, com espaço até para comentários. Em contrapartida, Playlists do MySpace podem ser incorporadas aos blogs, e assim por diante. As redes sociais vêm apresentando funções umas das outras para tentar manter o usuário o maior tempo possível logado nelas. E nessa “diluição das definições”, alguns espaços da web que não eram entendidos nem foram elaborados como redes sociais, acabam sendo

apropriados pelos atores com este fim. É o caso do Fotolog, dos weblogs, do Twitter, etc. São sistemas onde não há espaços específicos para perfil e para a publicização das conexões. Esses perfis são construídos através de espaços pessoais ou perfis pela apropriação dos atores. […] weblogs não são sites de redes sociais, mas podem ser apropriados como espaços de construção e exposição dessas redes. (RECUERO, 2009, p. 103)

No YouTube aconteceu o contrário. Ele possui todos os elementos que uma rede social necessita, mas o uso predominante é como repositório. Se resta alguma dúvida de que o YouTube é uma rede social, basta lembrar a definição de Boyd & Ellison para redes sociais. São “aqueles sistemas que permitem i) a construção de uma persona através de comentários; ii) a interação através de comentários; e iii) a exposição pública da rede social de cada ator” (apud RECUERO, 2009, p. 102). O YouTube permite as três.

Pois bem, se tanto os blogs quanto o YouTube são redes sociais, se cada vídeo recebe registro de data e hora quando é postado, e se há espaço para comentários em cada “post” (URL individual do vídeo), deve haver menos distinção entre um canal do YouTube e um blog específico do que imaginamos. Nos parece que fazer essa comparação, encontrando semelhanças e diferenças entre um e outro, seja um atalho para compreender os canais, dado a raridade de pesquisas científicas tanto sobre estes como qualquer tipo de vídeo blog.

Está bem claro que um canal do YouTube pode ser considerado um vídeo blog, desde que tenha algumas características específicas, que vão variar de acordo com o uso que o músico vai fazer do canal. Nos faz lembrar do texto de Boyd, quando ela mostra que se olharmos para as práticas, os blogs não são somente um gênero, mas uma mídia através da qual a comunicação acontece (2006, p. 19). Então, as práticas e a expressão dos usuários interferem e constituem o que entendemos por blogs (idem, p. 11).

Referências Bibliográficas

BOYD, Danah. A blogger’s blog: exploring the definition of a medium. IN: Reconstruction: studies in contemporary culture, v. 6, n. 4, pp. 1-19, 2006. Disponível em: <http://reconstruction.eserver.org/064/boyd.shtml>. Acesso em 11 abr. 2011.

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.


A produção musical nos canais do YouTube (1/5)

Quando eu fiz a disciplina “Blogs e Ecadeamento Midiático”, ministrada por Alex Primo no PPGCOM UFRGS em 2010/1, produzi um artigo como trabalho final. O resultado será publicado online, neste blog, partido em cinco posts. Não há relação direta com a minha pesquisa “Imagem-música em vídeos para web”, mas colaborou no esclarecimento de algumas questões que tinha do YouTube.

Resumo: Esta sequência de posts observa canais de músicos amadores do YouTube de modo a compreender como o ambiente do site interfere na produção musical e nas estratégias dos músicos. Entendendo os canais como vídeo blogs, pretende ainda lançar um novo olhar para o YouTube ao encará-lo não só como repositório de audiovisuais, mas também como uma rede social onde amadores, livres da lógica da indústria fonográfica, criam novas práticas e estéticas musicais.

Enquanto assistia aos vídeos da dupla Pomplamoose, resolvi acessar seu canal no YouTube ao invés de pesquisar por busca ou por vídeo relacionado, como normalmente fazemos. Nele, é possível navegar entre suas produções, acessar o iTunes para comprar suas canções, descobrir as relações que estabeleceram com outros usuários do YouTube que também são músicos, ver o desenvolvimento do grupo a cada vídeo postado e entender melhor a proposta dos VideoSongs. Acabei descobrindo diversas coisas que a maior parte dos usuários não acessa.

É estranho notar como não se dá atenção para os canais do YouTube: a somatória de exibições de vídeos postados pelo Pomplamoose passa dos 53 milhões (dados de abril de 2011), enquanto os de visualização de seu canal mal passaram os 6 milhões. Essa relação é similar em outros canais de músicos. Mas são eles que evidenciam boa parte das inovações que a música vem sofrendo pelo portal. Daí a importância de não entendê-lo apenas como um repositório de audiovisuais.

Acontece que canais são ambientes que ficam um pouco escondidos pela navegação. A ação comum do usuário que busca por vídeos, independente de possuir login ou não é navegar pela busca ou por vídeos relacionados, sem acessar canais. E assim, raramente se entra nos canais de usuários. Mas para artistas o canal exerce uma função fundamental, reunindo todos seus trabalhos e criando assim um conceito mais forte para sua obra. Normalmente se ignora a questão de que o autor que publica um vídeo está, automaticamente, compondo seu canal no YouTube, que, por sua vez, independente das intenções desse usuário, acaba agenciando sentidos.

O autor de vídeos musicais é incentivado a produzir e a criar por motivos bem diferentes dos da indústria fonográfica. Ao postar um vídeo, espera-se que seja comentado, seja compartilhado, receba vídeos-resposta, incentive as pessoas a comprarem suas músicas no iTunes. Liberto da lógica da indústria fonográfica, agora, ele produz e pensa sua produção para uma rede social de compartilhamento de vídeos.

Aliás, a produção científica também ignora o fato de que o YouTube é uma rede social. No final do livro de Raquel Recuero (um dos poucos) sobre o assunto (2009), a autora cita algumas das principais redes, como o Orkut e o Twitter, mas não cita o YouTube, que atualmente é o segundo site mais acessado do mundo, só perdendo para o Facebook. É preciso lembrar que para postar um vídeo, para comentar, para receber atualizações por email, é preciso criar um login, que automaticamente cria um canal. E mesmo para o usuário sem login, que só assiste a vídeos, ele está vendo um resultado de artistas que produziram vídeos pensando nas possibilidades de compartilhamento e interação que o YouTube proporciona.

No próximo post, vamos tratar dessa ideia de encarar o YouTube como rede social.

Referências Bibliográficas

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.

Resumen del artículo “El doble estatuto de la Música en los VideoSongs”

El doble estatuto de la Música en los VideoSongs

In: GUAL, I. B. et alActas del IV Congreso internacional sobre análisis fílmico: Nuevas tendencias e hibridaciones de los discursos audiovisuales en la cultura digital contemporánea, Universitat Jaume I, Castellón, Espanha. Ediciones de las ciencias sociales, Madrid, 2011. ISBN: 978-84-87510-57-1

Marcelo Bergamin Conter
Alexandre Rocha da Silva

El artículo se propone a discutir el estatuto de la música en vídeos para web, pensando la producción del sentido a partir de las actualizaciones de la música en todos los elementos del audiovisual, incluso en aquellos no-reconocidamente musicales. Foca los videosongs del grupo Pomplamoose, dirigidos por Jack Conte.

El videosong es un método de edición de vídeos musicales que subvierte la lógica del mercado de la industria fonográfica: diferente del videoclip televisivo tradicional, en que los músicos hacen playback de canciones pré-grabadas, las imágenes de ellos tocando son capturadas en el mismo momento en que el sonido de cada instrumento es grabado. Las trillas de audio son entonces sincronizadas y sobrepuestas en editor de audio, donde son mixadas, y después son sincronizadas con las imágenes en software de edición de vídeo. El resultado en la trilla musical es una canción tradicional, pero en la trilla de imagen, la edición imita las estructuras musicales – es dotado de una musicalidad.

Al asistir a los vídeos hospedados en el canal del YouTube del grupo Pomplamoose, surgieron para nosotros algunas cuestiones: los planos tardan mientras tarda la nota, o son cortados para que la frase musical pueda tardar? Algunas imágenes, que tardan menos de un segundo, al ser montadas en secuencia, imitan una frase musical? Serian esas duraciones audiovisuales en verdad duraciones musicales? Que sentidos son producidos por este montaje?

Para encaminar el desarrollo de tales cuestiones, proponemos denominar las imágenes que tardan en el ecrã de samplers audiovisuales. En el ámbito estrictamente musical, samplers son muestras sonoras digitalizadas, como una nota de piano, y que son utilizadas para componer músicas. En el vídeo en cuestión, serian samplers audiovisuales esos casi-planos que justa-puestos, en repetición o en relación con otros serian capaces de producir una dada musicalidad.

Tal método hace con que la Música sea el protagonista en este tipo de audiovisual. Ella estructura la narrativa y los montajes que de ella advienen. El modo como se hace la edición de las tomadas audiovisuales interpreta elementos significantes de la música, pero cuando agregados no producen necesariamente sentido, tendiendo siempre más para una experiencia estética. El mérito estaría entonces en la capacidad del grupo Pomplamoose reterritorializar la Música en el terreno de los audiovisuales musicales; no producir una música distinta, pero producir diferencia en la Música, utilizando el audiovisual como un instrumento musical capaz de imaginar Música, de presenta-la por medio de imágenes – visuales y sonoras –, por lo tanto.

Siendo así, no nos parece adecuado partir de la análisis de las relaciones entre el visual y el sonoro, como viene haciéndose históricamente en estudios sobre videoclip. Ese modo de observación entiende la música como mero elemento dentro de la trilla sonora. Entendiéndola como una virtualidad, podemos analizar sus relaciones con el audiovisual como un todo (tanto en la trilla visual como en la sonora). Tal pensamiento esperamos que produzca un nuevo modo de comprensión de las prácticas técnicas, culturales y estéticas musicales y audiovisuales que emergen en la cibercultura.

1º Encontro Anual dos Sempós – Fabico/UFRGS, 2011

Sempós: Associação Local dos Chinelões sem Titulação em Comunicação

OBS: a programação sofrerá adições ao longo da semana.


PROGRAMAÇÃO


TERÇA-FEIRA 21/6

16h – RODOVIÁRIA- Fechamento de casa e venda de pasteis

17h – FACHADA DO SALÃO DE ATOS – Protesto contra a valoração quantitativa de produção acadêmica da Capes e da CNPq. Traga sua panela, cadeira de praia, cachorro e chimarrão!

19h – BAMBUS – Coquetel de abertura do congresso


QUARTA-FEIRA 22/6

10h30 – AUDITÓRIO 2 – Sala aberta para o aquecimento para exibição do documentário sobre a vida e a obra de Daniel Johnston

11h – AUDITÓRIO 2 – Exibição e debate do documentário “The Devil and Daniel Johnston” (Clube do Pop) 13h – FERREIRA LANCHES – Reunião-almoço: crítica aos franceses mau-humorados

14h – TIA VILMA –  Mesa (de bar) temática: Repercussão da Compós: enaltação à Luhmann, Flusser, Latour e Chico Rudiger – Por um novo paradigma da epistemologia da comunicação – #NOT

16h – CORREDORES DA FABICO – Pregação de cartazes do Manifesto pelo movimento de retrogradação intelectual do espírito. De volta às experiências primeiras!


QUINTA-FEIRA 23/6

Feriado (que bolsista Sempós não é de ferro)


SEXTA-FEIRA, 24/6


12h – LANCHERIA DO PARQUE – Mesa (de bar) temática: CIBERCULTURA PARA GENTE GRANDE – um panorama para além dos pop stars integrados da fabico


14h – VIENA CAFÉ – Mesa (de bar) temática: COMO LER OS PÓS MODERNOS – esquecendo lyotard, maffesoli, durand e bachelard

17h3o – Odeon – Mesa (de bar) temática: A CULTURA DO LO-FI: NEO ARCADISMO OU COSMÉTICA DO TOSCO?

19h – PÁTIO DA FABICO – Fogueira de São João sustentável. Combustível: livros de Baudrillard, Lyotard, Debord, Foucault, Bhabha, Derrida, e, claro, Paulo Coelho.

21h – PINACOTECA – Laboratório experimental: Rimbaud e o absinto (com Alexandre Rocha da Silva)


SÁBADO, 25/6


20h – SPEED LANCHES – Mesa (de bar) temática: lixo cultural no YouTube

21h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: profile de gente morta no Orkut

22h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: clichês futebolísticos na televisão

23h – LAIKA – Festa de encerramento: Boomshakalaika


DOMINGO, 26/6

04h – PAMPA BURGUER – Janta de encerramento

06h – POSTINHO DA VENÂNCIO –  Reunião dos coordenadores de GT