Clipe novo do The Gentrificators! THE NAME-DROP TURN

Deu um trabalhão fazer esse videoclipe, mas acho que ficou tri massa. Vale a pena ler, ver e ouvir, vale a pena se engajar nessa causa semiótica.

Às vezes a preguiça de não sair para enfrentar a opressão gentrificadora da urbe é maior, e aí nos sobra produzir agenciamentos coletivos de enunciação de dentro de nossos quartos. QUE SEJA ASSIM, mas que cause alguma diferença na nossa relação estética para com essa Porto Alegre que fecha as portas para a arte de rua, para as miçangas, que quer cercar a Redenção e simular o modelo foucaultiano de prisão ao contrário (voltado para os civis, para as ~pessoas de bem~). ESSE VÍDEO É O PANÓPTICO, VOCÊ NUNCA SABE QUANDO ELE ESTÁ OLHANDO UM VÍDEO QUE VOCÊ MESMO POSTOU NO YOUTUBE, OLHA ALI O REFLEXO DA CIBERSHOT APARECENDO NA TELA!

PÕE NA TELA, PÕE ESSES VAGABUNDOS NA TELA!!!!

Essa é a música que vocês aplaudem? Uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado? Vocês não estão entendendo nada!

Dissertação “Imagem-música em vídeos para web” no Lume

Quem quiser pode ler a minha dissertação em PDF. Basta acessá-la na biblioteca digital da UFRGS:

Imagem-música em vídeos para web.

RESUMO

A presente dissertação propõe-se a investigar os modos com que a música sobrecodifica a linguagem audiovisual em vídeos para a web, criando novos processos de significação e complexificando a virtualidade musical (compreendida aqui como a totalidade irrepresentável de imagens que a expressam). O site YouTube se estabelece como um lócus privilegiado para tal estudo, pois nele encontra-se uma quantidade significativa de vídeos musicais em que a música se manifesta em todos os elementos audiovisuais, interferindo nos processos de composição audiovisual (tanto na trilha visual quanto na sonora). O que pode deste encontro derivar são atualizações e potencialidades do virtual da música, manifestadas como imagemmúsica. Os vídeos que constituem o corpus são organizados em quatro categorias mais recorrentes, ordenados de acordo com a proximidade que têm com a linguagem do videoclipe, o que permite perceber como, progressivamente, nos vídeos para web, está ocorrendo um processo de autonomização da imagem-música: mashup audiovisual; sampling audiovisual; spoof de shreds; auto-tunning. Essas práticas já estavam contidas, em potência, em audiovisuais anteriores, no cinema, na televisão, na videoarte, no videoclipe – e também nas práticas da música eletrônica –, mas somente na web elas conseguiram se manifestar a pleno. Como referencial teórico para compor o modo como será observado o fenômeno, utilizar-seão as teorias do filósofo Henri Bergson para compreender a virtualidade da música; de Gilles Deleuze, para entender os processos de significação que a sobrecodificação da música exerce sobre o audiovisual, e como ela movimenta suas estruturas através de tal processo; de Nicklas Luhmann, para compor um ponto de observação para os vídeos musicais para web diferente do que tradicionalmente se dirige ao videoclipe televisivo; e de Vilém Flusser, para compreender a natureza das imagens técnicas. Conclui-se que os vídeos para web estudados efetivamente se apartam da lógica do videoclipe televisivo, parte por não dialogarem com a lógica da indústria fonográfica, parte porque a música é resultado da montagem, e não o contrário, como ocorre normalmente em videoclipes; além disso, evidencia-se que a música é capaz de imprimir algo de si nos audiovisuais estudados, e que está ocorrendo uma tendência para a diluição da distinção entre arte figurativa e música: através desses vídeos, mostra-se possível a produção de música imaginativa, derivada da reciclagem de material audiovisual disponível na web.

Bibliografia complementar

Aqui tem vários textos complementares à disciplina, que não constam no programa, mas não tem problema que vocês os utilizem nos artigos. Mas tem que cuidar que os autores principais para análise tem que ser algum dos que está no programa da disciplina. Estes também podem ajudá-los a escolher o tema do artigo.

Alguns estão online, outros tem que dar uma procurada, e uns eu posso conseguir para vocês. É só me pedir em aula.

 

FILOSOFIA DA MÚSICA

CAGE, John. Transcrição de entrevista de concedida no filme “Ecoute” por Miroslav Sebestik, 1991. Disponível em: <http://hearingvoices.com/news/2009/09/cage-silence/>. Acessado em 22 de julho de 2010.

CAGE, John. De segunda a um ano. São Paulo: Hucitec, 1985.

CAVALHEIRO, Juciane. A voz e o silêncio em 4’33, de John Cage. In: 16º Congresso de Leitura do Brasil. Anais, Campinas, 2007.

BORNHEIM, Gerd. Metafísica e finitude. São Paulo: Perspectiva, 2001.
Tem um capítulo sobre linguagem musical bem interessante, numa perspectiva

CHAGAS, Paulo C. A Música de Câmara Telemática: a Metáfora de Flusser e o Universo da Música Eletroacústica. IN: GHREBH: Comunicação, Imagem e Técnica – Vilém Flusser. 
v. 1, n. 11. Cisc: São Paulo, 2008. Disponível em: <http://www.cisc.org.br/revista/ghrebh/index.php?journal=ghrebh&page=article&op=view&path%5B%5D=7&path%5B%5D=5>. Acesso em: 1º mar. 2011.

FLUSSER, Vilém. O universo das imagens técnicas. São Paulo: Annablume, 2008.
Tem um capítulo sobre o futuro das imagens técnicas musicais Ótimo para quem for estudar web.

FREITAS, Alexandre Siqueira de. Um diálogo entre som e imagem: questões históricas, temporais e de interpretação musical. In: Música Hodie, Goiás, vol. 7, nº 2, 2007. Disponível em: <http://www.musicahodie.mus.br/7_2/UM%20DI%C1LOGO%20ENTRE%20SOM%20E%20IMAGEM-QUEST%D5ES%20HIST%D3RICAS,%20TEMPORAISE%20DE%20INTERPRETA%C7%C3O%20MUSICAL-72.pdf>. Acesso em: 19 out. 2010.

 

METODOLOGIAS DE ANÁLISE

KILPP, Suzana. Ethicidades televisivas. São Leopoldo: Unisinos, 2003.
Tem um método de dissecação dos tempo de vídeo a serem analisados, de modo a fazer ver os procedimentos técnicos discretos que compõem a imagem aparente.

 

ANÁLISE CRÍTICA

BJÖRNBERG, Alf. Structural relationships of music and images in music video. In: MIDDLETON, Richard. Reading pop: approaches to textual analysis in popular music. Nova Iorque: Oxford, 2000, pp. 346-378.

Tem na biblioteca do Instituto de Artes. O cara fala que a maior parte dos estudos sobre videoclipe raramente tocam nos aspectos sonoros e musicais, e daí ele faz umas análises.

CARVALHO, Claudiane de Oliveira. Narratividade em videoclipe: A articulação entre música e imagem. IN: INTERCOM – XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Belo Horizonte. Anais, 2005. Disponível em: <galaxy.intercom.org.br:8180/dspace/bitstream/1904/18217/1/R0856-1.pdf>. Acesso em: 11 out. 2010.

CARVALHO, Claudiane. Sinestesia, ritmo e narratividade: interação entre música e imagem no videoclipe. IN: Ícone (UFPE) .Vol.10, n.1, p.100-114, Pernambuco, julho de 2008. Disponível em: <http://icone-ppgcom.com.br/index.php/icone/article/viewFile/19/18>. Acesso em: 18 out. 2010.

COELHO, Lillian. As relações entre canção, imagem e narrativa nos videoclipes. In: INTERCOM – XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Belo Horizonte. Anais, 2003. Disponível em: <http://www.ericaribeiro.com/Arquivos/CancaoImagemNarrativaVideoclipes.pdf>. Acesso em: 11 out. 2010.

HOLZBACH, Ariane D. ; NARCOLINI, Marild­o José. Videoclipe em tempo de reconfigurações. IN: Revista FAMECOS (Online), v. 1, p. 50-56, 2009.
Estuda o caso do sucesso de clipes do NX Zero na internet.

CASTRO, Gisela. As Canções Inumanas. Compós, 2005.

 

ESTUDOS SOBRE VÍDEO

MACHADO, Arlindo. Anamorfoses cronotópicas ou a quarta dimensão da imagem. In PARENTE, André (Org.). Imagem-Máquina: A era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

PEIXOTO, Nelson Brissac. Passagens da imagem: pintura, fotografia, cinema, arquitetura. In: PARENTE, André (Org.). Imagem-Máquina: A era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
Sobre a capacidade do vídeo de mostrar quase qualquer tipo de imagem (foto, pintura, cinema etc).

ANDRADE, Suely Chaves. Chris Cunningham: autoria em videoclipe. São Paulo: 2009. Dissertação de Mestrado em Comunicação e Semiótica – PUC-SP.

PRENDERGAST, Roy M. Film music: a neglected art: a study of music in films. 2ª ed. New York: W. W. Norton, 1992.
Baita estudo sobre a trilha sonora de filmes.

 

ACÚSTICA

MENEZES, Flo. A acústica musical em palavras e sons. Cotia: Ateliê Editorial, 2003.

SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. São Paulo: UNESP, 1991.

 

FILOSOFIA: TEMPO E MOVIMENTO

BERGSON, Henri. Memória e vida. São Paulo: Martins Fontes, 2006c.

BERGSON, Henri. A evolução criadora. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
Tem um capítulo que relaciona o mecanismo cinematográfico com a nossa memória.

DELEUZE, Gilles. A imagem-movimento. São Paulo: Brasiliense, 1985.
Primeiro volume dos dois livros em que o autor fala sobre cinema (o outro é o imagem-tempo, que usamos em aula).

 

MÚSICA

CARVALHO, Any Raquel. Contraponto modal: manual prático. Porto Alegre: Evangraf, 2006.

SEINCMAN, Eduardo. Do tempo musical. São Paulo: Via Lettera, 2001.

TATIT, Luiz. O cancionista. São Paulo: Edusp, 1996.
Tem um método de análise das letras e melodias da canções bem interessante.

Livro: Audiovisualidades da Cultura

A Editora Entremeios lançou este ano uma coletânea de artigos dos integrantes do GPAv (Grupo de Pesquisa Audiovisualidades). Conta com um artigo escrito por mim, Potências de videoclipe no cinema e no vídeo, derivado de meu trabalho de conclusão da graduação.

Compre o livro Audiovisualidades da Cultura na Livraria Cultura

Meu artigo trata daquilo que está congelado na matéria de audiovisuais anteriores como potência, podendo ou não se atualizar  em videoclipes, especializando, assim, sua linguagem. Realizo para tanto um apanhado histórico da produção de audiovisuais que trabalham concomitantemente imagem e música, como Fantasia, de Walt Disney, e Ano Passado em Marienbad, de Alan Resnais, passando também pelos conceitos de imagem-movimento e imagem-tempo de Gilles Deleuze. Finalizo com uma breve análise do videoclipe To The End, de  David Mould, produzido para música da banda Blur, no qual comparecem algumas das potências de videoclipes reconhecidos nos audiovisuais analisados.

Os textos:

Imagens conectivas da cultura
Suzana Kilpp

Linguagens cultura e inovação – Uma proposta de abordagem
Ione Bentz

Somos todos mutantes – Atualizações audiovisuais em redes discursivas
Nísia Martins do Rosário
Ricardo de Jesus Machado

Imagem Intransitiva
Luiz Felipe Soares

Os cinemas de Mário Peixoto
Alexandre Rocha da Silva

Imagens em crise – Cinema, antropofagia e transe
Regina Mota

Imagens de invasão e violência urbana – Realismo e violência no filme de Beto Brandt
Bruno Bueno Pinto Leites

Sobre a luz e as potências do escuro na fotografia – Moldurações nos conceitos fílmicos de sexo
Bruno Bortoluz Polidoro

Da fotografia às inscrições fotográficas no audiovisual
Cybeli Almeida Moraes

Potências de videoclipe no cinema e no vídeo
Marcelo Bergamin Conter

Michael Jackson – Coreografias audiovisuais
Carlise Scalamato Duarte
Alexandre Rocha da Silva

Uma descrição do grupo:

O estudo das audiovisualidades decorre de um conjunto de ações articuladas e articuladoras de pesquisadores em torno de uma problemática emergente nas mídias e na pesquisa em Comunicação que se relaciona ao audiovisual latu sensu como dispositivo central do momento do processo de globalização das culturas. O Grupo de Pesquisa Audiovisualidades (GPAv) estuda o audiovisual desde a perspectiva de sua irredutibilidade a qualquer mídia – ele é, antes e mais, uma virtualidade que se atualiza nas mídias, mas que as transcende. As pesquisas do grupo estão focadas em três aspectos, não excludentes – estudos experimentais dos devires de cultura e em devires teórico-metodológicos; estudos dos processos da produção audiovisual marcada pela convergência tecnológica e por hibridismos formais, narrativos e expressivos; estudos das linguagens audiovisuais. (excerto do ‘manifesto audiovisualidades’).

Grupo Aberto de Pesquisa em Vídeos Musicais

Estar na Intercom me fez lembrar do tempo do colégio.  Pouca coisa me interessava, chegava cansado pra assistir, mas fiz belas amizades. Meu interesse de pesquisa está em música e audiovisual. Ou, só para ficar mais claro, em videoclipes. 

Lá em Caxias acabei conhecendo outros pesquisadores de videoclipe. A primeira foi a Ariane Holzbach, com quem tive mais diálogo. No congresso, ela apresentou um artigo sobre a história social de surgimento do videoclipe, motivado pelo fato de que nós, pesquisadores , nos concentramos em reclamar de uma bibliografia magra sobre o assunto, e partimos para a descrição do seu surgimento. E nessas passamos pela história de sempre: nasce com os Beatles, estetiza-se com o Bohemian Rapsody do Queen, massifica-se e narrativiza-se com Thriller do Michael Jackson, e por aí vai. 

No entanto, há uma produção muito maior do que se pensa sobre videoclipes, só que ela é calcada na repetição dessa história. Como se todos nós que o estudamos nos setissemos na obrigação de explicar e contar ao leitor leigo essa história. É assim que Laura Correa se sentiu, quando me contava sobre a produção de seu artigo. Laura compôs o artigo quando estudava na UFMT, e à época, não contava com outras pessoas por perto estudando o mesmo objeto, ao contrário do cenário em que a Ariane e o Thiago Soares (outro pesquisador de videoclipe que encontrei na Intercom) se encontram: em universidades onde há muito mais alunos interessados no objeto. 

Talvez essa tenha sido o motivo para Laura contar uma breve história do videoclipe antes que pudesse falar do que o título do artigo propõe:  As transformações das mídias massiva, segmentada e em rede evidenciadas pelo videoclipe. Eu senti a mesma obrigação no meu trabalho de conclusão: o primeiro capítulo trata também da história, faz os mesmo caminho, mas para tratar de outros problemas.

A essa altura, nem preciso dizer que o Tiago e a Ariane também um dia correram esse percurso! E aí comecei a me perguntar: porque é assim?

Parece até trabalhos de filosofia, em que o cara tem que ficar páginas a fio retomando tudo o que já foi dito para poder dizer o que realmente pensa. Discutindo com a Ariane, começamos a pensar se já era ou não hora de pular essa história e ir pro que interessa, citando algum artigo que tenha contado essa história. Por outro lado, comecei também a me dar conta de que cada um de nós conta essa história um pouquinho diferente. Num trabalho que escrevi com Suzana Kilpp, Videoclipe: da canção popular à imagem-música, fazemos este caminho, mas para mostrar como o objeto tendeu para fazer articulações cada vez mais intensas entre o visual e o sonoro. Não duvido que uma reunião de artigos que contem esta mesma história em um livro não demonstraria perspectivas bem diferentes.

Pensando nisso e em muitos outros problemas entre os pesquisadores de audiovisual e música, criei o GRUPO ABERTO DE PESQUISAS DE VÍDEOS MUSICAIS, ou pela sigla horrorosa, GAP-VM. Bem, este é uma lista de discussão livre para que a galera se apresenta e conheça as pesquisas um dos outros. Assim, ao invés de nós, estudantes de videoclipe, pesquisarmos sozinhos cada um no seu estado, possamos discutir juntos nossa produção e garantir que cada um tenha uma perspectiva bastante autêntica.

Quem for pesquisador ou conhece alguém que se interessa, vai fazer monografia, trabalho de conclusão, o que for, basta se convidar por comentário pelo blog aqui. Será muito bem vindo.

O conceito do Rock morreu.

Quando algo ganha um dia para ser lembrado, é porque está sendo esquecido. Será que isso está acontecendo com o Rock? Nem fodendo! O problema é que quem faz rock hoje é um bando de cagão, gente que assume fazer Happy Rock. O rock é um estilo musical feliz por natureza, mas feliz num Iggy Pop Style, não vestido feito um Ursinho Carinhoso. A impressão que eu tenho é que para ser rock, basta usar um Boss DS-1.

Se algo morreu, é a postura do rock. Não temos mais travestis machões como Bowie, e sim homenzinhos afeminados como Restart (leia-se Hey, Start, como os próprios membros da banda pronunciam). Sumiram representantes do que Carlo Pianta chama de rock burro, bandas papo reto como Kiss, Black Sabbath.

O rock cometeu sua maior falha: entrou na onda do política e ecologicamente correto. Os roqueiros de hoje não querem dirigir nem Hummers nem Harleys; querem andar de Smart. A fumaça vem da chaleira, para preparar um chazinho verde. O óculos escuro não é por que faltou colírio. A máscara da falta de afinação, se uma vez era o grito, hoje é o auto-tune (Ouvir Cine e o Uo-ô, Ô-O deles).

Rock sempre foi muito mais postura e choque do que falar de amor (nesse sentido, a carreira solo de Paul McCartney é bem pouco roqueira). Como Walter Benjamin fala de Chaplin, o Rock também foi muito mais eficiente que o Dadaísmo na hora de produzir choque, e que é de ordem tátil.

Até quando o rock queria passar uma mensagem ele mantinha uma postura de produzir choque. Ele muitas vezes foi capaz de produzir choque para si. Lembram do Radiohead em Kid A, ensinando que dá pra fazer rock sem guitarra? Ou do Los Hermanos, que provaram que bunda moles também podem tocar rock; e os Ramones, provando que gente feia também pode ser estrela; dos Mutantes, mostrando que uma música pode ser feita com cacos de outras músicas; Do White Stripes, sem baixista; da Musical Amizade, sem baterista.

Pra mim o rock começou a morrer com o nu-metal. Quem precisava de um novo metal? Aliás, que metaleiro aceitaria o uso de scratch num metal? O metal é o subgênero mais conservador do rock, e ao mesmo tempo o menos erudito. O Gabriel Saikoski bem dizia: os caras aprenderam a ser virtuoses da guitarra executando fugas do Bach só para masturbar as suas guitarras.

Termino esse papo de boteco falando de videoclipe, que é minha praia: se o rock começa a morrer com o nu-metal, começa a definhar com o YouTube. O rock foi o gênero que mais contribuiu para a criatividade em video clipes. Falo de Strawberry Fields Forever, Heart-Shaped Box, Fell In Love With a Girl, Let Forever Be, Sabotage, Bohemian Rapsody, Beat It. Mas com o YouTube o que aconteceu? O mercado passou a pensar que ninguém mais queria ver videoclipe na TV. Aí passaram a fazer clipe só do que dava muito dinheiro: Beyoncè, 50 Cent e Lady Gaga. Como essa galera não é nem um pouco dadaísta, se foi o choque, se foi a postura rock no mainstream. O rock, ao menos conceitualmente, pra mim, está morto. Olhem só quem faz rock na MTV hoje:

Novos construtos de tempos audiovisuais simultâneos no videoclipe

Frame de "Let Forever Be", música de Chemical Brothers e direção de Michel Gondry (1999)

Quando eu fiz meu trabalho de conclusão em 2007 (Unisinos, orientado pela Suzana Kilpp), analisei alguns videoclipes do diretor Michel Gondry, evidenciando seu meticuloso trabalho de articulação das trilhas visuais e sonoras. Neste artigo eu e Suzana conseguimos fazer uma aproximação dos estudos sobre música com os de audiovisual, trazendo ainda a filosofia de Bergson para dar conta das sincronias dos elementos audiovisuais. Esse artigo foi publicado em março de 2010, mas a revista saiu como de novembro de 2009.

Pra quem estuda novos métodos de montagem em audiovisual (Cinema, TV, web…), acho que vale muito a pena, pois nele revela-se parte dos truques desse grande diretor de cinema e vídeo que é o Michel Gondry.


Novos construtos de tempos audiovisuais simultâneos no videoclipe

CMC (Comunicação, Mídia e Consumo – ESPM – SP)
Vol. 6, No 17 (2009): Comunicação e representações do feminino

O artigo indica algumas tendências de atualização da imagem-música em videoclipes. Elas foram observadas na articulação das trilhas visuais e sonoras de três vídeos, todos dirigidos por Michel Gondry e produzidos entre os anos de 1996 e 1999, nos quais se encontra um uso muito criativo de tempos audiovisuais simultâneos. Esses são analisados na perspectiva teórica de autores que trabalham com o conceito de tempo relacionado à percepção e à memória. O artigo também toma por referência autores que pensam o audiovisual e a música em sua perspectiva técnica, estética e filosófica.

Palavras-chave: Videoclipe. Imagem-música. Michel Gondry. Tempos audiovisuais simultâneos.