Vídeos amadores na web

Pra quem ainda não escolheu sobre o que escrever para o artigo, na medida do possível eu vou passar algumas ideias nos próximos dias aqui no blog. Hoje vou começar com uma área pouco explorada pelas ciências da comunicação: videos musicais amadores dispersos na web.

Quem quiser, pode pegar alguns desses vídeos e encontrar padrões, recorrências que aparecem neles. Notem que há muito em comum nos clipes abaixo, como o posicionamento e movimentação da câmera, enquadramento do músico, uso de imagens de arquivo para “encher linguiça”, uso de clichês do cinema (tipo contra-plongée para enaltecer o cantor) e do videoclipe (dublar a canção, montagem rápida de imagens, chroma key)…

Outro bom mote de pesquisa é tentar entender porque esses vídeos fazem tanto sucesso. Mas a resposta terá de vir dos autores que usamos em aula, claro, então se atenham a tentar responder isso a partir do modo como o vídeo e a canção são montados, produzidos e relacionados um com o outro.

Stefhany do Cross Fox: esse é um dos casos mais repercutidos de clipe amador no Brasil. Stefhany foi parar em vários programas de TV. Reparem que ela faz metalinguagem no começo do vídeo ao fazer uma referência ao clipe Single Ladies. Tem outros clipes dela que isso acontece, como Menino Sexy. Mais difícil do que redigir o nome desse “talento nato” é encarar esse vídeo sem esboçar um sorriso de vergonha alheia.

 

Ednaldo Pereira: este “jovem de espírito” consegue produzir um vídeo ainda mais chinelão que a Stefhany. Ednaldo foi até parar no Jô Soares!

 

Hélio dos Passos: vejam só o quão longe pode se ir com um simples efeito deChroma Key.

 

Tay Zonday: respeitem esse garoto. Chocolate Rain surpreende qualquer um que ouve pela primeira vez a voz de seu compositor.

 

Julia Nunes: de seu quarto, com pouquíssimos recursos e um ukulele, Julia conquistou um espaço muito significativo no YouTube, especialmente ao cantar covers de músicas famosas.

 

Rebecca Black: essa menina ganhou de presente de seus pais um videoclipe. Eis o produto final:

Impressões da Intercom 2010 – GP Televisão e Vídeo

Embora já tenha participado de alguns congressos de comunicação, é apenas a segunda vez que participo da Intercom, apresentando trabalho. Este ano, resolvi fincar pé no GP de Televisão e Vídeo, cujas mesas assisti todas.

Este GP é novo, decorrente de uma reformulação no DT de audiovisual. Mas infelizmente alguns dos trabalhos ali apresentados não corresponderam muito ao processo de reformulação. Perdi as conta de artigos que pecavam pela insuficiência de arcabouço teórico, além da falta de cientificidade. Mais pareciam posts extensos de blogs, alguns até sendo lidos em voz alta.

Fica difícil não falar nada enquanto leio para a disciplina de Metodologia textos de Morin, Arendt, Bachelard e Bourdieu sobre a ciência. Boa parte dos trabalhos pareciam mais observações arbitrárias, sem método, sem rigor, como nos tempos do espírito pré-científico. Pode até ser que a minha apresentação caia no mesmo quesito e eu esteja cego por situação, então, quem assim considerar, por favor, blogs são feitos para comentar!

Algumas coisas que me incomodaram no GP: análises comparativas cujos objetos a serem comparados foram escolhidos “a dedo”, isto é, sem um critério rigoroso; pesquisadores descrevendo seus próprios laboratórios de audiovisual, mas sem apresentar uma análise do mesmo (peraí, não ensinam os jornalistas a não pautarem as coisas as quais eles se envolvem? Achei que na ciência também era assim); artigos mal redigidos, confusos e com erros ortográficos; trabalhos que não apresentavam novidades, provavelmente porque seus autores não consultaram o Portal da CAPES ou mesmo o Google Acadêmico; e, como não podia faltar, textos enormes e com fonte pequena aplicados a Power Points, sendo lidos ponta a ponta.

Essas características, é preciso ressaltar, compõe a minoria dos trabalhos. Mas penso que não podem ser ignorados. Isso tudo pode ter ocorrido pelo processo de reformulação que o Grupo está passando. A coordenadora do GP, Ana Silva Médola (que aliás apresentou um mais que relevante panorama das produções do grupo nos últimos 10 anos), no fechamento do GP perguntou se seria interessante a presença de um comentarista, que teria 5 minutos para falar sobre cada trabalho. Achamos isso fundamental, do contrário corre-se o risco de o pesquisador atravessar o país para apresentar um trabalho e não receber comentário algum. Isso não pode acontecer, pois não há trabalho fraco ou potente, nem certo ou errado, ainda mais sob os olhos de um GP – todos os trabalhos apresentados estão em construção, esperando que sejam criticados, para em seguida serem re-escritos e melhorados. Há, portanto, trabalhos sendo apresentados que precisam e que anseiam por críticas.

E se é críticas que precisam ser ouvidas, gostaria de comentar algumas coisas:

  1. Cada vez mais estou me convenço que análises comparativas são muito pouco científicas, pois não tiram nem o pesquisador nem o objeto do seus eixos; é um método que dá um conforto extremo para ambos.
  2. Não é possível que pesquisadores formados ou formandos em Jornalismo ou qualquer outro curso de comunicação apresentem artigos mal redigidos. Não importa que a pesquisa esteja em construção; a gramática de um estudante deve estar plena antes mesmo que ele comece a se formar como pesquisador.
  3. Precisamos pesquisar na web se já não fizeram um artigo parecido com o nosso. O portal da CAPES e o Google Academics podem ser mais que suficientes para tal propósito.
  4. Ficar de costas para o público enquanto lê o PPT que todos também podem ler é confuso e aborrece qualquer um.

PS: vale salientar que a reclamação da qualidade dos artigos se estendeu por outros GPs, inclusive o de semiótica, tido por muitos como o mais rigoroso e “malvado” de todos. Então esse não é um problema específico do GP de TV e Vídeo, o que talvez configure-se como um #epicfail.

Em breve vou escrever também sobre os artigos sobre videoclipes em especial.

Novos construtos de tempos audiovisuais simultâneos no videoclipe

Frame de "Let Forever Be", música de Chemical Brothers e direção de Michel Gondry (1999)

Quando eu fiz meu trabalho de conclusão em 2007 (Unisinos, orientado pela Suzana Kilpp), analisei alguns videoclipes do diretor Michel Gondry, evidenciando seu meticuloso trabalho de articulação das trilhas visuais e sonoras. Neste artigo eu e Suzana conseguimos fazer uma aproximação dos estudos sobre música com os de audiovisual, trazendo ainda a filosofia de Bergson para dar conta das sincronias dos elementos audiovisuais. Esse artigo foi publicado em março de 2010, mas a revista saiu como de novembro de 2009.

Pra quem estuda novos métodos de montagem em audiovisual (Cinema, TV, web…), acho que vale muito a pena, pois nele revela-se parte dos truques desse grande diretor de cinema e vídeo que é o Michel Gondry.


Novos construtos de tempos audiovisuais simultâneos no videoclipe

CMC (Comunicação, Mídia e Consumo – ESPM – SP)
Vol. 6, No 17 (2009): Comunicação e representações do feminino

O artigo indica algumas tendências de atualização da imagem-música em videoclipes. Elas foram observadas na articulação das trilhas visuais e sonoras de três vídeos, todos dirigidos por Michel Gondry e produzidos entre os anos de 1996 e 1999, nos quais se encontra um uso muito criativo de tempos audiovisuais simultâneos. Esses são analisados na perspectiva teórica de autores que trabalham com o conceito de tempo relacionado à percepção e à memória. O artigo também toma por referência autores que pensam o audiovisual e a música em sua perspectiva técnica, estética e filosófica.

Palavras-chave: Videoclipe. Imagem-música. Michel Gondry. Tempos audiovisuais simultâneos.

Descrição do Blog “Imagem-música”

Assim como todos os blogs inativos desejam, “Olá, mundo!”

Em março de 2010 ingressei no mestrado em Comunicação e Informação da UFRGS, onde irei produzir a dissertação “Imagem-música em vídeos para web”. Penso que um blog pode ser um ótimo espaço para publicar e discutir minhas ideias e rascunhos para o projeto.

A proposta por enquanto é analisar vídeos musicais na web para então descrever qual, ou, como é a estética desses vídeos. Eu não vou me delongar nisso, o blog vai servir como espaço para discutir pequenas coisas que depois irão constituir a dissertação, então, se quiser, pode ler meu projeto na íntegra: CONTER, Marcelo B. – Imagem-música em vídeos para web.

Neste começo de abril meus esforços vem sendo o de atualizar o corpus da pesquisa (os vídeos que irei analisar). O próximo post tratará disso.  Abraços!