Texturas em mutação (Intercom 2010 – UCS)

Quem estiver pela UCS durante a Intercom vai poder participar do Grupo de Pesquisa Televisão e Vídeo, no qual vou apresentar o artigo Texturas em Mutação: a baixa definição dos vídeos para web.

Eu escrevi este texto a partir deste vídeo da banda Chairlift, dirigido por Ray Tintori:

Repararam que eles usaram a falha de codec que ocorre em vídeos compactados em DivX como opção estética?

Minha apresentação será dia 4 de setembro, segunda-feira, das 9h às 12h, no bloco H, sala 105, na UCS, em Caxias do Sul.

Na mesma mesa, também haverá apresentação do artigo Figuras de tempo seta em panoramas televisivos, que escrevi em co-autoria com a Dra. Suzana Kilpp.

Vale a pena conferir a lista dos trabalhos do GP, pois tem outros 4 artigos sobre vídeo clipe.

O resumo do trabalho:

A necessidade de reduzir a definição dos vídeos para internet (para que carreguem mais rápido) cria deformações visuais. Essa situação, que por anos incomodou muitos videastas, hoje provoca artistas a se apropriarem da baixa definição como opção estética. O presente artigo se propõe a apresentar um breve panorama de como se chegou a esta situação, através de um ponto de vista filosófico, técnico e estético.

Palavras-chave: audiovisual; música; estética; tempo; vídeo clipe.

Audiovisualidades de video clipes produzidos para web (5/5)

CONSIDERAÇÕES

Nos videoclipes a repetição aparece como reutilização de intervalos de imagens (planos) e/ou de sons (samplers), como vimos em The Hardest Button To Button, Amateur, Mc Jeremias e Funk da Menina Pastora. No caso dos três últimos, produzidos por amadores para a internet, é curioso que as repetições não ocorrem em função de o realizador ter usado poucos recursos de software na edição ou por questões orçamentárias, mas ocorrem, sim como proposta estética, indo contra alguns hábitos de edição audiovisual. Essa repetição, característica do videoclipe, trabalha com articulações entre imagens e música.

À medida que avançamos no tempo histórico em direção ao presente, partindo de Fantasia e chegando às produções de internet, percebe-se que a criação das imagens e da música vai ficando cada vez mais simultânea, chegando-se, atualmente, à produção de ambas as trilhas a partir de registros audiovisuais que antes não eram nem imagens de videoclipes, nem músicas, como, por exemplo, em MC Jeremias e Funk da Menina Pastora.

O conceito de imagem-música de Silva se prestou muito bem ao que propus para a análise de videoclipes. Mas é preciso deixar claro que a imagem-música só aparece em modelos computacionais, onde videográficos e ondas sonoras são criados, registrados e reproduzidos através de um mesmo código binário. Manifestações como os clipes aqui analisados são compreendidos pelo autor apenas como devires.

Vimos também que, nos anos sessenta, o cinema moderno estava enfrentando as gramáticas vigentes da época, denominadas por Deleuze de imagem-movimento (1985). Esse estilo atualizou o cinema como um todo, sendo que sua gramática passou a fazer parte da linguagem cinematográfica. Da mesma forma, o videoclipe (e o audiovisual como um todo) absorveu as gramáticas, éticas e estéticas de várias mídias audiovisuais e foi constituindo-se tal como ele é, sendo que também acaba por influenciar as mídias com sua linguagem.

Da mesma maneira, concluí o trabalho justamente no momento em que sugiro um possível conceito para o que seria o virtual do videoclipe: tempo-fantasia. Fiquei impossibilitado de desenvolvê-lo, pois conceitos dessa ordem exigem uma pesquisa muito mais aprofundada. De qualquer maneira, chegar a ele só foi possível devido ao meu objetivo com este trabalho, que era o de discorrer sobre devires audiovisuais e a autonomização do videoclipe. Chegar ao conceito de tempo-fantasia só foi possível após ter me lançado à memória do videoclipe e compreendido seu desenvolvimento técnico, estético e cultural.

É possível concluir, então, por ora, o seguinte: a autonomização do videoclipe foi possível pelo estágio dos softwares de edição de áudio e vídeo, que permitiu a criação de samplers, que, ao serem repetidos ao longo do tempo de duração de um videoclipe, constituem imagem-música. E estes clipes, altamente fragmentados e constituídos de situações óticas e sonoras puras, só são apreciados devido a toda uma memória audiovisual, que permite ao espectador aceitar o tempo do videoclipe como um tempo-fantasia.

Referências Bibliográficas

DELEUZE, Gilles. A imagem-movimento. São Paulo: Brasiliense, 1985.

SILVA, Alexandre Rocha da. Devires de Imagem-Música. In: INTERCOM – XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2005, Rio de Janeiro. INTERCOM, 2005. Disponível em: <http://reposcom.portcom.intercom.org.br/dspace/bitstream/1904/16872/1/R0921-1.pdf&gt;. Acesso em: 19 out. 2007.

Aprendizes do Fantasia

Walt Disney picotou as músicas sem dó, nem ré, nem piedade

Walt Disney picotou as músicas sem dó, nem ré, nem piedade

Minha primeira aventura acadêmica levou 16 meses para ficar pronta. Fruto de um curso de extensão de prática em pesquisa, escrevi um artigo apontando o filme Fantasia da Disney, de 1940, como uma das principais potências do que hoje compreendemos como vídeo clipe.

Leia o artigo na íntegra.

Escrevi o artigo em 2006, em parceria com o Prof. Alexandre Rocha da Silva, hoje meu orientador de mestrado. Usando como método de análise a Tradução Intersemiótica (de Júlio Plaza), vamos encontrando semelhanças de acontecimentos no filme com acontecimentos em videoclipes.

Um dos achados interessantes é o bate-boca que o filme gerou entre o compositor Igor Stravinsky e Walt Disney. Acontece que o desenhista não teve pudor algum ao editar a música A sagração da primavera do compositor, que retrucou dizendo  que “não ia comentar uma imbecilidade irretorquível”.

Stravinski na época estava cético de que a música era incapaz de exprimir qualquer sentimento. Ver sua peça contando a história da vida na Terra, desde a primeira ameba até a morte dos dinossauros, deve ter sido como tomar um puxão de cueca até ela ser presa na testa.

Mas a riqueza das articulações entre música e desenho animado de Walt Disney falou mais alto e hoje é encarada com naturalidade a interferência nas peças musicais originais para que se possa dar um sentido ao audiovisual. Um belo exemplo disso é o clipe Come into my world, dirigido por Michel Gondry para a insossa música de Kylie Minogue. Ele interferiu na estrutura da música, mas eu vou me poupar detalhes que podem ser melhor entendidos lendo outro artigo meu que trata exatamente deste vídeo.

Importa dizer que meu filho vai se chamar Valdisnei. Eis o clipe da Kylie: