PodCast: Scum. Agenciamentos midiáticos na conformação do metal extremo

O disco “Scum”, da Napalm Death.

No dia 21 de maio de 2012, Fabrício Silveira, doutor em comunicação e professor da Unisinos, palestrou na Semana Acadêmica da FABICO (UFRGS) sobre a dimensão midiática da experiência sonora do disco Scum, da banda Napalm Death. O Clube do Pop, do qual faço parte, organizou o evento. E gravamos um Pod Cast. Ouça na íntegra, dividido em duas partes, a palestra e as perguntas dirigidas à Fabrício:

PARTE 1:

PARTE 2:

Abaixo, alguns dos vídeos que ele mencionou na palestra:

Napalm Death – You Suffer:

Blast Beats:

Entrevista do Sex Pistols para a TV britânica:

Kurt Cobain fora da casinha:

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Sonatas e interlúdios de John Cage em POA!

Eis uma rara oportunidade de conhecer o trabalho de John Cage ao vivo. A dificuldade em executar suas peças reside no fato de que ele usava um piano preparado: inseria parafusos, pregos e outros tipos de coisas perto das cordas do piano, o que nem sempre é fácil de se arranjar. Ele fazia isso para que soassem de uma maneira diferente do habitual, abrindo nossa percepção para o “sons que os sons fazem”, ao invés de ficarmos presos à ouvir sons mas pensando em notas musicais.

Eis um teaser:

E o serviço:

Si bemol é o tom do mundo.

Calma, a afirmação do título deste post não tem nada a ver com seitas satânicas ou suicidas. Tem relação com um livro do Schafer, A afinação do mundo (2001), no qual o autor realiza um apanhado histórico dos sons que reverberavam nas principais civilizações da história humana, do chiado do mar ao chiado do avião a jato.

Em determinado trecho (que eu não fichei ainda), ele fala da eletricidade. Ela é distribuída em duas frequências, 50 ou 60 hertz, dependendo do país. Aqui no Brasil, como você pode ver no cabo de força do seu PC, usamos 60hz, o que é muito próximo da frequência que um baixo elétrico faz ao soar seu mais grave si bemol, se estiver afinado seu lá no padrão de 440hz, claro. O lá mais grave do baixo é oito vezes mais lento que a frequência de afinação, ou seja, 55hz.

Confuso, né? Mas não precisa se ater a isso. Melhor que entender esta teoria é ouvir o som. Boa parte dos aparelhos eletrônicos “vazam” este ruído. Geladeiras, condicionadores de ar de parede, estabilizadores, ventiladores de teto, e até os amplificadores de guitarra e baixo (especialmente quando distorcidos)… escute cada um deles e você notará que sua cabeça já estava afinada nos 60hz.

Pretendo relacionar o estado atual da paisagem sonora das metrópoles com os audiovisuais musicais que serão analisados pela minha pesquisa, pois, como o Schafer constata: “Hoje, todos os sons fazem parte de um campo contínuo de possibilidades, que pertence ao domínio compreensivo da música. Eis a nova orquestra: o universo sonoro! E os músicos: qualquer coisa que soe!” (2001:20).

Pra quem não sabe, paisagem sonora é qualquer campo de estudo acústico. Podemos referir-nos a uma composição musical, a um programa de rádio ou mesmo a um ambiente acústico como paisagens sonoras. (Schafer, 2001:23)

E o melhor é quando a gente consegue extrair dessa paisagem sonora uma experiência estética. Acontece quando a gente deixa de se preocupar com nosso bolso: não se perguntar o tempo todo para que as coisas servem, mas simplesmente deleitar-se com elas. Cuidado para não tomar um tapa na cara do mestre budista.

Eis uma dupla de dois músicos que conseguirem esse feito; do hospital tiraram belos sons de uma máquina de ressonância magnética:

Referências:

SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. São Paulo: UNESP, 1991.

______. A afinação do mundo. São Paulo: UNESP, 2001.