Clipe novo do The Gentrificators! THE NAME-DROP TURN

Deu um trabalhão fazer esse videoclipe, mas acho que ficou tri massa. Vale a pena ler, ver e ouvir, vale a pena se engajar nessa causa semiótica.

Às vezes a preguiça de não sair para enfrentar a opressão gentrificadora da urbe é maior, e aí nos sobra produzir agenciamentos coletivos de enunciação de dentro de nossos quartos. QUE SEJA ASSIM, mas que cause alguma diferença na nossa relação estética para com essa Porto Alegre que fecha as portas para a arte de rua, para as miçangas, que quer cercar a Redenção e simular o modelo foucaultiano de prisão ao contrário (voltado para os civis, para as ~pessoas de bem~). ESSE VÍDEO É O PANÓPTICO, VOCÊ NUNCA SABE QUANDO ELE ESTÁ OLHANDO UM VÍDEO QUE VOCÊ MESMO POSTOU NO YOUTUBE, OLHA ALI O REFLEXO DA CIBERSHOT APARECENDO NA TELA!

PÕE NA TELA, PÕE ESSES VAGABUNDOS NA TELA!!!!

Essa é a música que vocês aplaudem? Uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado? Vocês não estão entendendo nada!

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Sonatas e interlúdios de John Cage em POA!

Eis uma rara oportunidade de conhecer o trabalho de John Cage ao vivo. A dificuldade em executar suas peças reside no fato de que ele usava um piano preparado: inseria parafusos, pregos e outros tipos de coisas perto das cordas do piano, o que nem sempre é fácil de se arranjar. Ele fazia isso para que soassem de uma maneira diferente do habitual, abrindo nossa percepção para o “sons que os sons fazem”, ao invés de ficarmos presos à ouvir sons mas pensando em notas musicais.

Eis um teaser:

E o serviço:

Cat Power e os ruídos de Porto Alegre

Minha excelente visão do show. NOT

Fui no show da Cat Power no Opinião, em 20 de maio.

Logo que adentrei o bar, Cat Power iniciava “Don’t Explain”, num volume drasticamente baixo. O público vencia, nos resmungos (nem gritavam para conversar) o som produzido pela banda. Isso pra mim foi algo bem estranho de ver acontecer.

Fiquei me perguntando se o show não devia ter sido na OSPA, no SESI, ou qualquer outro lugar em que se pudesse ouvir com mais atenção. Afinal muita coisa se perde em um ambiente cuja acústica colabora mais para rock barulhento. Mas ao longo do show os ruídos da plateia diminuíram, e eu não saberia dizer se foi só porque a banda aumentou o volume, ou a galera na pista resolveu prestar mais atenção.

E aí que eu, demasiado humano, me indagava: mas isto é um show de rock ou não? Bem, acho que estávamos entre as duas possibilidades. Cat Power tem lá suas influências de blues, jazz, mas também de Velvet Underground. Não haveria um lugar ideal para acontecer seu show, portanto.

Teve um momento muito estranho durante o show: alguém lá em baixo, na pista, mandou um “shhhh”! Sério, quem pede silêncio durante um show no Opinião? O que estava acontecendo ali?

O que é uma pena, porque muito da sua voz se perdeu na acústica do Opinião, engordurando os sussurros. De onde eu estava, não dava pra entender o que ela estava cantando, em boa parte do show.

A banda estava impecável, e Chan também, além de tratar muito bem o público. Foi ótimo sair de lá sem estar com os ouvidos apitando!

Bem, se você, que esteve lá, quiser opinar, sobre o ambiente, sinta-se à vontade. É uma boa discussão: qual seria o ambiente mais apropriado para um show da Cat Power em Porto Alegre?