Impressões da Intercom 2010 – GP Televisão e Vídeo

Embora já tenha participado de alguns congressos de comunicação, é apenas a segunda vez que participo da Intercom, apresentando trabalho. Este ano, resolvi fincar pé no GP de Televisão e Vídeo, cujas mesas assisti todas.

Este GP é novo, decorrente de uma reformulação no DT de audiovisual. Mas infelizmente alguns dos trabalhos ali apresentados não corresponderam muito ao processo de reformulação. Perdi as conta de artigos que pecavam pela insuficiência de arcabouço teórico, além da falta de cientificidade. Mais pareciam posts extensos de blogs, alguns até sendo lidos em voz alta.

Fica difícil não falar nada enquanto leio para a disciplina de Metodologia textos de Morin, Arendt, Bachelard e Bourdieu sobre a ciência. Boa parte dos trabalhos pareciam mais observações arbitrárias, sem método, sem rigor, como nos tempos do espírito pré-científico. Pode até ser que a minha apresentação caia no mesmo quesito e eu esteja cego por situação, então, quem assim considerar, por favor, blogs são feitos para comentar!

Algumas coisas que me incomodaram no GP: análises comparativas cujos objetos a serem comparados foram escolhidos “a dedo”, isto é, sem um critério rigoroso; pesquisadores descrevendo seus próprios laboratórios de audiovisual, mas sem apresentar uma análise do mesmo (peraí, não ensinam os jornalistas a não pautarem as coisas as quais eles se envolvem? Achei que na ciência também era assim); artigos mal redigidos, confusos e com erros ortográficos; trabalhos que não apresentavam novidades, provavelmente porque seus autores não consultaram o Portal da CAPES ou mesmo o Google Acadêmico; e, como não podia faltar, textos enormes e com fonte pequena aplicados a Power Points, sendo lidos ponta a ponta.

Essas características, é preciso ressaltar, compõe a minoria dos trabalhos. Mas penso que não podem ser ignorados. Isso tudo pode ter ocorrido pelo processo de reformulação que o Grupo está passando. A coordenadora do GP, Ana Silva Médola (que aliás apresentou um mais que relevante panorama das produções do grupo nos últimos 10 anos), no fechamento do GP perguntou se seria interessante a presença de um comentarista, que teria 5 minutos para falar sobre cada trabalho. Achamos isso fundamental, do contrário corre-se o risco de o pesquisador atravessar o país para apresentar um trabalho e não receber comentário algum. Isso não pode acontecer, pois não há trabalho fraco ou potente, nem certo ou errado, ainda mais sob os olhos de um GP – todos os trabalhos apresentados estão em construção, esperando que sejam criticados, para em seguida serem re-escritos e melhorados. Há, portanto, trabalhos sendo apresentados que precisam e que anseiam por críticas.

E se é críticas que precisam ser ouvidas, gostaria de comentar algumas coisas:

  1. Cada vez mais estou me convenço que análises comparativas são muito pouco científicas, pois não tiram nem o pesquisador nem o objeto do seus eixos; é um método que dá um conforto extremo para ambos.
  2. Não é possível que pesquisadores formados ou formandos em Jornalismo ou qualquer outro curso de comunicação apresentem artigos mal redigidos. Não importa que a pesquisa esteja em construção; a gramática de um estudante deve estar plena antes mesmo que ele comece a se formar como pesquisador.
  3. Precisamos pesquisar na web se já não fizeram um artigo parecido com o nosso. O portal da CAPES e o Google Academics podem ser mais que suficientes para tal propósito.
  4. Ficar de costas para o público enquanto lê o PPT que todos também podem ler é confuso e aborrece qualquer um.

PS: vale salientar que a reclamação da qualidade dos artigos se estendeu por outros GPs, inclusive o de semiótica, tido por muitos como o mais rigoroso e “malvado” de todos. Então esse não é um problema específico do GP de TV e Vídeo, o que talvez configure-se como um #epicfail.

Em breve vou escrever também sobre os artigos sobre videoclipes em especial.

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Texturas em mutação (Intercom 2010 – UCS)

Quem estiver pela UCS durante a Intercom vai poder participar do Grupo de Pesquisa Televisão e Vídeo, no qual vou apresentar o artigo Texturas em Mutação: a baixa definição dos vídeos para web.

Eu escrevi este texto a partir deste vídeo da banda Chairlift, dirigido por Ray Tintori:

Repararam que eles usaram a falha de codec que ocorre em vídeos compactados em DivX como opção estética?

Minha apresentação será dia 4 de setembro, segunda-feira, das 9h às 12h, no bloco H, sala 105, na UCS, em Caxias do Sul.

Na mesma mesa, também haverá apresentação do artigo Figuras de tempo seta em panoramas televisivos, que escrevi em co-autoria com a Dra. Suzana Kilpp.

Vale a pena conferir a lista dos trabalhos do GP, pois tem outros 4 artigos sobre vídeo clipe.

O resumo do trabalho:

A necessidade de reduzir a definição dos vídeos para internet (para que carreguem mais rápido) cria deformações visuais. Essa situação, que por anos incomodou muitos videastas, hoje provoca artistas a se apropriarem da baixa definição como opção estética. O presente artigo se propõe a apresentar um breve panorama de como se chegou a esta situação, através de um ponto de vista filosófico, técnico e estético.

Palavras-chave: audiovisual; música; estética; tempo; vídeo clipe.