Do rei Pelé ao Messi Playstation: o futebol também é pop

Segue abaixo o áudio das apresentações da primeira mesa do Clube do Pop na Semana Acadêmica de Comunicação 2011, que ocorreu na Fabico, em 4/10.

Anderson David dos Santos
http://bit.ly/pHO2hf
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Ana Acker
http://bit.ly/oynoXu
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Apresentação Seminário Clube do Pop.

Márcio Telles
http://bit.ly/pb9Ukq
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Acesse sua apresentação com links para vídeos mencionados (Prezi).

Perguntas
http://bit.ly/qoZper
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What is the brother? Celebrificação na web

No dia 6 de outubro de 2011, o Clube do Pop fez sua terceira mesa na Semana Acadêmica da Comunicação, intitulado What is the brother? Celebrificação na web. Quem não assistiu pode, por aqui, ouvir em podcasts a apresentação de cada palestrante, além de suas apresentações:

Do ponto de vista dos palestrantes, o computador registrando o podcast e os espectadores.

Marcelo Bergamin Conter
Lo-fi: o fascínio pelas imagens de baixa definição 
http://bit.ly/oXeUlm
Download do podcast.
Download da apresentação.

Susan Liesenberg
Celebridades da internet e Stefhany do Cross Fox, a princesa do povo
http://bit.ly/nJUlax
Download do podcast.
Download da apresentação.

Camila Cornutti
Celebridades: as apropriações e as remediações nos blogs Cleycianne, Katylene e Te Dou Um Dado
http://bit.ly/r0L3rI
Download do podcast.
Download da apresentação.

Pedro Veloso
Celebrificação no blog Emily Diz Olá
http://bit.ly/nBNimQ
Download do podcast.
Blog Emily Diz Olá.

Perguntas parte 1
http://bit.ly/nF72TS
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Perguntas parte 2
http://bit.ly/mXpmrn
Download.

1º Encontro Anual dos Sempós – Fabico/UFRGS, 2011

Sempós: Associação Local dos Chinelões sem Titulação em Comunicação

OBS: a programação sofrerá adições ao longo da semana.


PROGRAMAÇÃO


TERÇA-FEIRA 21/6

16h – RODOVIÁRIA- Fechamento de casa e venda de pasteis

17h – FACHADA DO SALÃO DE ATOS – Protesto contra a valoração quantitativa de produção acadêmica da Capes e da CNPq. Traga sua panela, cadeira de praia, cachorro e chimarrão!

19h – BAMBUS – Coquetel de abertura do congresso


QUARTA-FEIRA 22/6

10h30 – AUDITÓRIO 2 – Sala aberta para o aquecimento para exibição do documentário sobre a vida e a obra de Daniel Johnston

11h – AUDITÓRIO 2 – Exibição e debate do documentário “The Devil and Daniel Johnston” (Clube do Pop) 13h – FERREIRA LANCHES – Reunião-almoço: crítica aos franceses mau-humorados

14h – TIA VILMA –  Mesa (de bar) temática: Repercussão da Compós: enaltação à Luhmann, Flusser, Latour e Chico Rudiger – Por um novo paradigma da epistemologia da comunicação – #NOT

16h – CORREDORES DA FABICO – Pregação de cartazes do Manifesto pelo movimento de retrogradação intelectual do espírito. De volta às experiências primeiras!


QUINTA-FEIRA 23/6

Feriado (que bolsista Sempós não é de ferro)


SEXTA-FEIRA, 24/6


12h – LANCHERIA DO PARQUE – Mesa (de bar) temática: CIBERCULTURA PARA GENTE GRANDE – um panorama para além dos pop stars integrados da fabico


14h – VIENA CAFÉ – Mesa (de bar) temática: COMO LER OS PÓS MODERNOS – esquecendo lyotard, maffesoli, durand e bachelard

17h3o – Odeon – Mesa (de bar) temática: A CULTURA DO LO-FI: NEO ARCADISMO OU COSMÉTICA DO TOSCO?

19h – PÁTIO DA FABICO – Fogueira de São João sustentável. Combustível: livros de Baudrillard, Lyotard, Debord, Foucault, Bhabha, Derrida, e, claro, Paulo Coelho.

21h – PINACOTECA – Laboratório experimental: Rimbaud e o absinto (com Alexandre Rocha da Silva)


SÁBADO, 25/6


20h – SPEED LANCHES – Mesa (de bar) temática: lixo cultural no YouTube

21h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: profile de gente morta no Orkut

22h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: clichês futebolísticos na televisão

23h – LAIKA – Festa de encerramento: Boomshakalaika


DOMINGO, 26/6

04h – PAMPA BURGUER – Janta de encerramento

06h – POSTINHO DA VENÂNCIO –  Reunião dos coordenadores de GT

Malditos hipsters ruralistas: a microfonação em “Oração”.

Mal faz uma semana da publicação do vídeo Oração d’A Banda Mais Bonita Da Cidade e lá se vão duas milhões de exibições.

Mas Oração, a canção, pouco ou nada tem de chocante ou de inovador a ponto de mobilizar tantas exibições. A diferença estaria, portanto, no que foi feito no vídeo. E é preciso ressaltar que com vídeo falo do visual e do sonoro.

Oração, o vídeo, representa a canção com uma execução ao vivo. É um misto de gravação, porque pode ser que eles tenham errado várias vezes até obter uma tomada boa, e de ao vivo, porque ao contrário do estúdio em que cada músico grava seu instrumento em momentos diferentes e em separado, aqui todo mundo gravou o seu ao mesmo tempo. Um cantor, que é o personagem principal, com um microfone omnidirecional (que capta em 360º) portátil na mão, carrega-o e canta diante dele enquanto circula por uma casa. Em cada quarto que passa, outros músicos vão sendo exibidos, e a maioria conta com um microfone diante de si. Os microfones são dos mais variados tipos: tem daqueles compridos e finos para captar os timbres mais agudos no ambiente (1:43), tem montados especificamente para gravar voz de perto (2:10), com tela para abafar os “p” (e cuspes, porque não?), microfones direcionais para captar uma bateria (3:02) e adiante.

Cada microfone está conectado com um disco rígido, cartão de memória ou notebook. Depois de capturarem todos os áudios (durante a gravação do vídeo), o produtor de som sincronizou todas elas em um software de edição de áudio e interferiu nas trilhas.

Entre 3:23 e 3:32, podemos notar que o personagem principal canta diante de um desses microfones. Durante um giro da câmera, ouvimos sua voz repentinamente aumentar de volume, como se a câmera estivesse a capturando. No entanto, o microfone que está diante dele manteve o volume estável. É muito provável que na mesa de edição aumentaram propositadamente sua voz para “parecer mais natural”.

Em vários momentos temos processos dessa ordem. Se no momento da captura todos os microfones estavam abertos, a mixagem tratou de cortar ou diminuir o volume daqueles que não estavam aparecendo em cena. Portanto, o produtor de áudio respeitou a movimentação e o emolduramento da câmera.

Num videoclipe tradicional, os sons provém de estúdios, enquanto que o personagem se dubla. O que está na trilha sonora seria, materialmente falando, a mesma coisa que tem no CD que a indústria fonográfica está vendendo. Nesses, os microfones aparecem inultilmente, apenas como objeto de cena (já que o áudio foi registrado antes). Por isso Oração se mostra bem inovador nos usos dos microfones. Eles saem do estúdios e vão parar na mise em scène, não só como objetos mas como sujeitos, como protagonistas. Eles são os nossos ouvidos no clipe, e se o assistirmos com headfones ou boas caixas de som, poderemos ouvir melhor os sons ficando mais perto ou mais distantes de nós na mesma medida que os músicos se aproximam ou distanciam deles.

Creio que assim fica claro que esse vídeo rompe com algumas lógicas habituais da indústria fonográfica, porque ela não divulga uma música preconcebida e que consta em um CD à venda. Pelo menos, não a mesma música.

Além do mais, a inserção dos microfones em cena traz a ideia de making of, de reality show porque os equipamentos de captura, que por décadas o cinema sempre tentou esconder para deixar a cena realista, hoje tendem a aparecer justamente para dar a mesma sensação procurada nos anos dourados: realismo. No entanto, nos deixam cada vez mais distantes do real, porque fica cada vez mais complicado explicar os modos como essas imagens e sons foram compostos.

É por isso que esse vídeo deveria chamar atenção, mas infelizmente o que atrai os críticos é a repetição incessante do verso, que também faz as vezes de refrão. Mas é muito fácil falar que repete só porque é sempre a mesma melodia e letra. No entanto, a música vai diferindo de si o tempo todo harmonicamente e com diferentes camadas instrumentais, o que só potencializa a repetição daqueles dois elementos. Além disso, a câmera meio que mostra cada verso (ou refrão?) em cada cômodo da casa, contando com instrumentos diferentes. Ou seja: o diretor Vinícius Nisi respeitou visualmente a estrutura sonora de Oração.

Infelizmente também a postura pseudo hipster ruralista malabar indie demodê da banda também acaba obscurecendo tantos procedimentos técnicos interessantes, mas dessa vez não tenho argumentos para contrariar os críticos.

Bibliografia complementar

Aqui tem vários textos complementares à disciplina, que não constam no programa, mas não tem problema que vocês os utilizem nos artigos. Mas tem que cuidar que os autores principais para análise tem que ser algum dos que está no programa da disciplina. Estes também podem ajudá-los a escolher o tema do artigo.

Alguns estão online, outros tem que dar uma procurada, e uns eu posso conseguir para vocês. É só me pedir em aula.

 

FILOSOFIA DA MÚSICA

CAGE, John. Transcrição de entrevista de concedida no filme “Ecoute” por Miroslav Sebestik, 1991. Disponível em: <http://hearingvoices.com/news/2009/09/cage-silence/>. Acessado em 22 de julho de 2010.

CAGE, John. De segunda a um ano. São Paulo: Hucitec, 1985.

CAVALHEIRO, Juciane. A voz e o silêncio em 4’33, de John Cage. In: 16º Congresso de Leitura do Brasil. Anais, Campinas, 2007.

BORNHEIM, Gerd. Metafísica e finitude. São Paulo: Perspectiva, 2001.
Tem um capítulo sobre linguagem musical bem interessante, numa perspectiva

CHAGAS, Paulo C. A Música de Câmara Telemática: a Metáfora de Flusser e o Universo da Música Eletroacústica. IN: GHREBH: Comunicação, Imagem e Técnica – Vilém Flusser. 
v. 1, n. 11. Cisc: São Paulo, 2008. Disponível em: <http://www.cisc.org.br/revista/ghrebh/index.php?journal=ghrebh&page=article&op=view&path%5B%5D=7&path%5B%5D=5>. Acesso em: 1º mar. 2011.

FLUSSER, Vilém. O universo das imagens técnicas. São Paulo: Annablume, 2008.
Tem um capítulo sobre o futuro das imagens técnicas musicais Ótimo para quem for estudar web.

FREITAS, Alexandre Siqueira de. Um diálogo entre som e imagem: questões históricas, temporais e de interpretação musical. In: Música Hodie, Goiás, vol. 7, nº 2, 2007. Disponível em: <http://www.musicahodie.mus.br/7_2/UM%20DI%C1LOGO%20ENTRE%20SOM%20E%20IMAGEM-QUEST%D5ES%20HIST%D3RICAS,%20TEMPORAISE%20DE%20INTERPRETA%C7%C3O%20MUSICAL-72.pdf>. Acesso em: 19 out. 2010.

 

METODOLOGIAS DE ANÁLISE

KILPP, Suzana. Ethicidades televisivas. São Leopoldo: Unisinos, 2003.
Tem um método de dissecação dos tempo de vídeo a serem analisados, de modo a fazer ver os procedimentos técnicos discretos que compõem a imagem aparente.

 

ANÁLISE CRÍTICA

BJÖRNBERG, Alf. Structural relationships of music and images in music video. In: MIDDLETON, Richard. Reading pop: approaches to textual analysis in popular music. Nova Iorque: Oxford, 2000, pp. 346-378.

Tem na biblioteca do Instituto de Artes. O cara fala que a maior parte dos estudos sobre videoclipe raramente tocam nos aspectos sonoros e musicais, e daí ele faz umas análises.

CARVALHO, Claudiane de Oliveira. Narratividade em videoclipe: A articulação entre música e imagem. IN: INTERCOM – XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Belo Horizonte. Anais, 2005. Disponível em: <galaxy.intercom.org.br:8180/dspace/bitstream/1904/18217/1/R0856-1.pdf>. Acesso em: 11 out. 2010.

CARVALHO, Claudiane. Sinestesia, ritmo e narratividade: interação entre música e imagem no videoclipe. IN: Ícone (UFPE) .Vol.10, n.1, p.100-114, Pernambuco, julho de 2008. Disponível em: <http://icone-ppgcom.com.br/index.php/icone/article/viewFile/19/18>. Acesso em: 18 out. 2010.

COELHO, Lillian. As relações entre canção, imagem e narrativa nos videoclipes. In: INTERCOM – XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Belo Horizonte. Anais, 2003. Disponível em: <http://www.ericaribeiro.com/Arquivos/CancaoImagemNarrativaVideoclipes.pdf>. Acesso em: 11 out. 2010.

HOLZBACH, Ariane D. ; NARCOLINI, Marild­o José. Videoclipe em tempo de reconfigurações. IN: Revista FAMECOS (Online), v. 1, p. 50-56, 2009.
Estuda o caso do sucesso de clipes do NX Zero na internet.

CASTRO, Gisela. As Canções Inumanas. Compós, 2005.

 

ESTUDOS SOBRE VÍDEO

MACHADO, Arlindo. Anamorfoses cronotópicas ou a quarta dimensão da imagem. In PARENTE, André (Org.). Imagem-Máquina: A era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

PEIXOTO, Nelson Brissac. Passagens da imagem: pintura, fotografia, cinema, arquitetura. In: PARENTE, André (Org.). Imagem-Máquina: A era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
Sobre a capacidade do vídeo de mostrar quase qualquer tipo de imagem (foto, pintura, cinema etc).

ANDRADE, Suely Chaves. Chris Cunningham: autoria em videoclipe. São Paulo: 2009. Dissertação de Mestrado em Comunicação e Semiótica – PUC-SP.

PRENDERGAST, Roy M. Film music: a neglected art: a study of music in films. 2ª ed. New York: W. W. Norton, 1992.
Baita estudo sobre a trilha sonora de filmes.

 

ACÚSTICA

MENEZES, Flo. A acústica musical em palavras e sons. Cotia: Ateliê Editorial, 2003.

SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. São Paulo: UNESP, 1991.

 

FILOSOFIA: TEMPO E MOVIMENTO

BERGSON, Henri. Memória e vida. São Paulo: Martins Fontes, 2006c.

BERGSON, Henri. A evolução criadora. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
Tem um capítulo que relaciona o mecanismo cinematográfico com a nossa memória.

DELEUZE, Gilles. A imagem-movimento. São Paulo: Brasiliense, 1985.
Primeiro volume dos dois livros em que o autor fala sobre cinema (o outro é o imagem-tempo, que usamos em aula).

 

MÚSICA

CARVALHO, Any Raquel. Contraponto modal: manual prático. Porto Alegre: Evangraf, 2006.

SEINCMAN, Eduardo. Do tempo musical. São Paulo: Via Lettera, 2001.

TATIT, Luiz. O cancionista. São Paulo: Edusp, 1996.
Tem um método de análise das letras e melodias da canções bem interessante.