What is the brother? Celebrificação na web

No dia 6 de outubro de 2011, o Clube do Pop fez sua terceira mesa na Semana Acadêmica da Comunicação, intitulado What is the brother? Celebrificação na web. Quem não assistiu pode, por aqui, ouvir em podcasts a apresentação de cada palestrante, além de suas apresentações:

Do ponto de vista dos palestrantes, o computador registrando o podcast e os espectadores.

Marcelo Bergamin Conter
Lo-fi: o fascínio pelas imagens de baixa definição 
http://bit.ly/oXeUlm
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Download da apresentação.

Susan Liesenberg
Celebridades da internet e Stefhany do Cross Fox, a princesa do povo
http://bit.ly/nJUlax
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Download da apresentação.

Camila Cornutti
Celebridades: as apropriações e as remediações nos blogs Cleycianne, Katylene e Te Dou Um Dado
http://bit.ly/r0L3rI
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Pedro Veloso
Celebrificação no blog Emily Diz Olá
http://bit.ly/nBNimQ
Download do podcast.
Blog Emily Diz Olá.

Perguntas parte 1
http://bit.ly/nF72TS
Download.

Perguntas parte 2
http://bit.ly/mXpmrn
Download.

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Daniel Johnston and his Worried Shoes

Eu já comentei em posts dispersos por aí a obra de Daniel Johnston. Esse ano comemoramos o cinquentenário de nascimento deste músico controverso em suas ações mas muito direto em sua obra.

Vocês podem pesquisar por aí, mas em resumo, Daniel é de família religiosa, e incomodou muito os pais que queriam vê-lo contribuir para a obra de Deus ao invés de só querer saber de desenhar e compor músicas. Logo cedo, ao final da adolescência, foi diagnosticado como maníaco depressivo, o que piorou ainda mais depois das várias viagens de ácido no começo do anos 80. Em meio a tudo isso, Daniel fez por conta própria várias fitas K7 gravadas na garagem de casa com dezenas de canções próprias em cada uma. Ele passava cópias para quem visse na rua, e sua fama no meio musical independente tomou grandes proporções.

Mas como era autodidata maluco que era, a maior parte do seu trabalho soa desafinado, o que para muitos é o charme, e que evidenciaria uma estética da baixa definição, que nos faria ignorar por um tempo as regras e padrões para concentrarmos em nos sensibilizar mais e analisar menos.

Daniel é direto, cru, singelo.

Recomendo a audição da canção Worried Shoes. Na foto que compõe o vídeo, Daniel aparece ainda são, antes da maldição que o tomou nos anos 1980. Aliás, Daniel entrou numa paranoia em que ele era enviado de Deus e tinha que ajudar as pessoas a se livrar do Satanás. Quando foi pra Nova Iorque em companhia do Sonic Youth, Daniel passava metade do show discursando sobre o número 6 (o diabo. O DIABO), o 7 (Jesus), o 8 (Deus, eu acho, não lembro), e 9 (o homem). “Number nine, number nine, number nine”, ele falava, em menção à música dos Beatles. A partir daí o discurso se perdia ainda mais. À noite, Daniel sumiu do apartamento, e os membros do Sonic Youth foram procurá-lo. Encontraram Daniel pregando a quatro ventos com o violão no ombro.

Daniel é tão referenciado que suas composições já foram regravadas por Beck, Butthole Surfers, Wilco, Sonic Youth, Pearl Jam e uma penca de outras bandas.

A mesma canção de antes, agora na voz de Karen O, do The Yeah Yeah Yeahs, mais limpa e bonitinha. Fica a seu cargo decidir qual é melhor. Trilha sonora de Onde vivem os monstros. Não preciso dizer que Spike Jonze é outro que é fã da obra de Johnston.

Por fim, depois de ter ficado num sanatório no começo dos anos 90, Daniel passou a ser intensamente medicado, e hoje toma cerca de 15 pílulas por dia para manter “no nosso mundo”. Se é difícil encarar Worried Shoes original sem sentir o peso da HUMANIDADE, que tal a densidade da exibição abaixo, datada de 2009? Daniel treme não por vergonha, mas provavelmente por causa da medicação. Adicione aí vida sedentária, vício em cigarro e muita Montain Dew, o que refletiu em obesidade e rouquidão. Daniel vive com os pais, idosos, e é cuidado por eles, que até hoje tem de lhe fazer  almoço, janta, levar pro médico e assim por diante. Eles também são seu empresário, e, embora tenham levado muito tempo para aprender a importância de Daniel como artista, hoje já não o veem com o diabo no couro.

Pelo menos, de acordo com a mamãe Johnston “de vez em quando ele arruma o próprio quarto”.

Se Daniel não é uma lição de vida estilo Luciano Huck, ao menos ele é capaz de mexer com as nossas, mas se de modo diabólico ou celestial vai depender do ouvinte.

1º Encontro Anual dos Sempós – Fabico/UFRGS, 2011

Sempós: Associação Local dos Chinelões sem Titulação em Comunicação

OBS: a programação sofrerá adições ao longo da semana.


PROGRAMAÇÃO


TERÇA-FEIRA 21/6

16h – RODOVIÁRIA- Fechamento de casa e venda de pasteis

17h – FACHADA DO SALÃO DE ATOS – Protesto contra a valoração quantitativa de produção acadêmica da Capes e da CNPq. Traga sua panela, cadeira de praia, cachorro e chimarrão!

19h – BAMBUS – Coquetel de abertura do congresso


QUARTA-FEIRA 22/6

10h30 – AUDITÓRIO 2 – Sala aberta para o aquecimento para exibição do documentário sobre a vida e a obra de Daniel Johnston

11h – AUDITÓRIO 2 – Exibição e debate do documentário “The Devil and Daniel Johnston” (Clube do Pop) 13h – FERREIRA LANCHES – Reunião-almoço: crítica aos franceses mau-humorados

14h – TIA VILMA –  Mesa (de bar) temática: Repercussão da Compós: enaltação à Luhmann, Flusser, Latour e Chico Rudiger – Por um novo paradigma da epistemologia da comunicação – #NOT

16h – CORREDORES DA FABICO – Pregação de cartazes do Manifesto pelo movimento de retrogradação intelectual do espírito. De volta às experiências primeiras!


QUINTA-FEIRA 23/6

Feriado (que bolsista Sempós não é de ferro)


SEXTA-FEIRA, 24/6


12h – LANCHERIA DO PARQUE – Mesa (de bar) temática: CIBERCULTURA PARA GENTE GRANDE – um panorama para além dos pop stars integrados da fabico


14h – VIENA CAFÉ – Mesa (de bar) temática: COMO LER OS PÓS MODERNOS – esquecendo lyotard, maffesoli, durand e bachelard

17h3o – Odeon – Mesa (de bar) temática: A CULTURA DO LO-FI: NEO ARCADISMO OU COSMÉTICA DO TOSCO?

19h – PÁTIO DA FABICO – Fogueira de São João sustentável. Combustível: livros de Baudrillard, Lyotard, Debord, Foucault, Bhabha, Derrida, e, claro, Paulo Coelho.

21h – PINACOTECA – Laboratório experimental: Rimbaud e o absinto (com Alexandre Rocha da Silva)


SÁBADO, 25/6


20h – SPEED LANCHES – Mesa (de bar) temática: lixo cultural no YouTube

21h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: profile de gente morta no Orkut

22h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: clichês futebolísticos na televisão

23h – LAIKA – Festa de encerramento: Boomshakalaika


DOMINGO, 26/6

04h – PAMPA BURGUER – Janta de encerramento

06h – POSTINHO DA VENÂNCIO –  Reunião dos coordenadores de GT

The Devil and Daniel Johnston

O Clube do Pop é o nome provisório de um grupo de alunos do PPGCOM da UFRGS que vem se reunindo de vez em quando para falar sobre o universo Pop. É uma turma aberta para quem quiser participar, mas não é nem um pouco institucionalizada. Quem se interessa por lixo cultural, futebol, proflies de gente morta no Orkut, Stefhany do Cross Fox, Auto-tune do Joel Santana, celebridades online, narcisismo no ciberespaço e cachaça será muito bem vindo. Esperamos por você!

Debatedores (não-confirmados): Ana Maria Acker, Ana Migowski, André Araújo, Camila Cornutti, Daniela Schmitz, Gabriela Zago, Marcelo B.Conter, Márcio Telles, Susan Liesenberg

Trailer do filme:

Argh, fábricas de música!

Pode passar desapercebido pelos olhos dos usuários do YouTube, mas o clipe enjoado de Rebecca Black – Friday não só foi produzido pela ARK Music Factory como foi enviado ao site através do canal trizzy66, que orgulhosamente apresenta o clipe da princesa dos Spoofs de 2011 em sua capa. Vejam nos vídeos dos canais quantos astros pop eles possuem – e colocam na mesma esteira de produção.

Trago isso para discussão porque a ARK é uma daquelas gravadoras do pior tipo – daquelas que caçam talentos jovens para inserir num processo fordiano de produção musical. Não sei se além do clipe produzem a canção também, mas reparem que essa outra estrela, Alana Lee Hamilton, passou por todos os estágios de Friday:

Mas o que pessoalmente mais me enoja é essa plastificação excessiva do áudio. Não precisa prestar muita atenção pra notar o auto-tune descarado, dessa vez não para criar aquele efeito de robô em curto-circuito, mas para simular uma afinação perfeita, sobre-humana da pequena Alana. O super-homem de Nietzsche na sua pior forma.

E não é só a voz, mas todos os instrumentos são todos muito corretos. Essa perfectibilidade me assusta, porque é uma robotização extrema. Claro, tudo o que está no YouTube é digitalizado, mas nesses casos o produto passou por tantos softwares de correção é pufiricação do áudio que chegam num patamar de semelhança àqueles demos dos antigos teclados Casio.

Não é insuportável porque irrita, mas porque é excessivamente neutro. Pra mim isso é a morte do som, é mais fraco do que o silêncio.

Se querem ouvir e ver algo que realmente irrita (pelo bem ou pelo mal, dependendo do seu gosto), eu recomendo um Daniel Johnston em sua fase decadente: