Mashups audiovisuais para web: para além da linguagem do videoclipe

Está publicado nos anais da Intercom 2012 mais um artigo, escrito a seis mãos. As outras quatro pertencem à Luiza Pimenta e Camila Daniel (duas mãos para cada uma, caso estejam curiosos), alunas de graduação em Comunicação Social na UFRGS.

Acesse clicando aqui.

Bibliografia complementar

Aqui tem vários textos complementares à disciplina, que não constam no programa, mas não tem problema que vocês os utilizem nos artigos. Mas tem que cuidar que os autores principais para análise tem que ser algum dos que está no programa da disciplina. Estes também podem ajudá-los a escolher o tema do artigo.

Alguns estão online, outros tem que dar uma procurada, e uns eu posso conseguir para vocês. É só me pedir em aula.

 

FILOSOFIA DA MÚSICA

CAGE, John. Transcrição de entrevista de concedida no filme “Ecoute” por Miroslav Sebestik, 1991. Disponível em: <http://hearingvoices.com/news/2009/09/cage-silence/>. Acessado em 22 de julho de 2010.

CAGE, John. De segunda a um ano. São Paulo: Hucitec, 1985.

CAVALHEIRO, Juciane. A voz e o silêncio em 4’33, de John Cage. In: 16º Congresso de Leitura do Brasil. Anais, Campinas, 2007.

BORNHEIM, Gerd. Metafísica e finitude. São Paulo: Perspectiva, 2001.
Tem um capítulo sobre linguagem musical bem interessante, numa perspectiva

CHAGAS, Paulo C. A Música de Câmara Telemática: a Metáfora de Flusser e o Universo da Música Eletroacústica. IN: GHREBH: Comunicação, Imagem e Técnica – Vilém Flusser. 
v. 1, n. 11. Cisc: São Paulo, 2008. Disponível em: <http://www.cisc.org.br/revista/ghrebh/index.php?journal=ghrebh&page=article&op=view&path%5B%5D=7&path%5B%5D=5>. Acesso em: 1º mar. 2011.

FLUSSER, Vilém. O universo das imagens técnicas. São Paulo: Annablume, 2008.
Tem um capítulo sobre o futuro das imagens técnicas musicais Ótimo para quem for estudar web.

FREITAS, Alexandre Siqueira de. Um diálogo entre som e imagem: questões históricas, temporais e de interpretação musical. In: Música Hodie, Goiás, vol. 7, nº 2, 2007. Disponível em: <http://www.musicahodie.mus.br/7_2/UM%20DI%C1LOGO%20ENTRE%20SOM%20E%20IMAGEM-QUEST%D5ES%20HIST%D3RICAS,%20TEMPORAISE%20DE%20INTERPRETA%C7%C3O%20MUSICAL-72.pdf>. Acesso em: 19 out. 2010.

 

METODOLOGIAS DE ANÁLISE

KILPP, Suzana. Ethicidades televisivas. São Leopoldo: Unisinos, 2003.
Tem um método de dissecação dos tempo de vídeo a serem analisados, de modo a fazer ver os procedimentos técnicos discretos que compõem a imagem aparente.

 

ANÁLISE CRÍTICA

BJÖRNBERG, Alf. Structural relationships of music and images in music video. In: MIDDLETON, Richard. Reading pop: approaches to textual analysis in popular music. Nova Iorque: Oxford, 2000, pp. 346-378.

Tem na biblioteca do Instituto de Artes. O cara fala que a maior parte dos estudos sobre videoclipe raramente tocam nos aspectos sonoros e musicais, e daí ele faz umas análises.

CARVALHO, Claudiane de Oliveira. Narratividade em videoclipe: A articulação entre música e imagem. IN: INTERCOM – XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Belo Horizonte. Anais, 2005. Disponível em: <galaxy.intercom.org.br:8180/dspace/bitstream/1904/18217/1/R0856-1.pdf>. Acesso em: 11 out. 2010.

CARVALHO, Claudiane. Sinestesia, ritmo e narratividade: interação entre música e imagem no videoclipe. IN: Ícone (UFPE) .Vol.10, n.1, p.100-114, Pernambuco, julho de 2008. Disponível em: <http://icone-ppgcom.com.br/index.php/icone/article/viewFile/19/18>. Acesso em: 18 out. 2010.

COELHO, Lillian. As relações entre canção, imagem e narrativa nos videoclipes. In: INTERCOM – XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Belo Horizonte. Anais, 2003. Disponível em: <http://www.ericaribeiro.com/Arquivos/CancaoImagemNarrativaVideoclipes.pdf>. Acesso em: 11 out. 2010.

HOLZBACH, Ariane D. ; NARCOLINI, Marild­o José. Videoclipe em tempo de reconfigurações. IN: Revista FAMECOS (Online), v. 1, p. 50-56, 2009.
Estuda o caso do sucesso de clipes do NX Zero na internet.

CASTRO, Gisela. As Canções Inumanas. Compós, 2005.

 

ESTUDOS SOBRE VÍDEO

MACHADO, Arlindo. Anamorfoses cronotópicas ou a quarta dimensão da imagem. In PARENTE, André (Org.). Imagem-Máquina: A era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

PEIXOTO, Nelson Brissac. Passagens da imagem: pintura, fotografia, cinema, arquitetura. In: PARENTE, André (Org.). Imagem-Máquina: A era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
Sobre a capacidade do vídeo de mostrar quase qualquer tipo de imagem (foto, pintura, cinema etc).

ANDRADE, Suely Chaves. Chris Cunningham: autoria em videoclipe. São Paulo: 2009. Dissertação de Mestrado em Comunicação e Semiótica – PUC-SP.

PRENDERGAST, Roy M. Film music: a neglected art: a study of music in films. 2ª ed. New York: W. W. Norton, 1992.
Baita estudo sobre a trilha sonora de filmes.

 

ACÚSTICA

MENEZES, Flo. A acústica musical em palavras e sons. Cotia: Ateliê Editorial, 2003.

SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. São Paulo: UNESP, 1991.

 

FILOSOFIA: TEMPO E MOVIMENTO

BERGSON, Henri. Memória e vida. São Paulo: Martins Fontes, 2006c.

BERGSON, Henri. A evolução criadora. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
Tem um capítulo que relaciona o mecanismo cinematográfico com a nossa memória.

DELEUZE, Gilles. A imagem-movimento. São Paulo: Brasiliense, 1985.
Primeiro volume dos dois livros em que o autor fala sobre cinema (o outro é o imagem-tempo, que usamos em aula).

 

MÚSICA

CARVALHO, Any Raquel. Contraponto modal: manual prático. Porto Alegre: Evangraf, 2006.

SEINCMAN, Eduardo. Do tempo musical. São Paulo: Via Lettera, 2001.

TATIT, Luiz. O cancionista. São Paulo: Edusp, 1996.
Tem um método de análise das letras e melodias da canções bem interessante.

Grupo Aberto de Pesquisa em Vídeos Musicais

Estar na Intercom me fez lembrar do tempo do colégio.  Pouca coisa me interessava, chegava cansado pra assistir, mas fiz belas amizades. Meu interesse de pesquisa está em música e audiovisual. Ou, só para ficar mais claro, em videoclipes. 

Lá em Caxias acabei conhecendo outros pesquisadores de videoclipe. A primeira foi a Ariane Holzbach, com quem tive mais diálogo. No congresso, ela apresentou um artigo sobre a história social de surgimento do videoclipe, motivado pelo fato de que nós, pesquisadores , nos concentramos em reclamar de uma bibliografia magra sobre o assunto, e partimos para a descrição do seu surgimento. E nessas passamos pela história de sempre: nasce com os Beatles, estetiza-se com o Bohemian Rapsody do Queen, massifica-se e narrativiza-se com Thriller do Michael Jackson, e por aí vai. 

No entanto, há uma produção muito maior do que se pensa sobre videoclipes, só que ela é calcada na repetição dessa história. Como se todos nós que o estudamos nos setissemos na obrigação de explicar e contar ao leitor leigo essa história. É assim que Laura Correa se sentiu, quando me contava sobre a produção de seu artigo. Laura compôs o artigo quando estudava na UFMT, e à época, não contava com outras pessoas por perto estudando o mesmo objeto, ao contrário do cenário em que a Ariane e o Thiago Soares (outro pesquisador de videoclipe que encontrei na Intercom) se encontram: em universidades onde há muito mais alunos interessados no objeto. 

Talvez essa tenha sido o motivo para Laura contar uma breve história do videoclipe antes que pudesse falar do que o título do artigo propõe:  As transformações das mídias massiva, segmentada e em rede evidenciadas pelo videoclipe. Eu senti a mesma obrigação no meu trabalho de conclusão: o primeiro capítulo trata também da história, faz os mesmo caminho, mas para tratar de outros problemas.

A essa altura, nem preciso dizer que o Tiago e a Ariane também um dia correram esse percurso! E aí comecei a me perguntar: porque é assim?

Parece até trabalhos de filosofia, em que o cara tem que ficar páginas a fio retomando tudo o que já foi dito para poder dizer o que realmente pensa. Discutindo com a Ariane, começamos a pensar se já era ou não hora de pular essa história e ir pro que interessa, citando algum artigo que tenha contado essa história. Por outro lado, comecei também a me dar conta de que cada um de nós conta essa história um pouquinho diferente. Num trabalho que escrevi com Suzana Kilpp, Videoclipe: da canção popular à imagem-música, fazemos este caminho, mas para mostrar como o objeto tendeu para fazer articulações cada vez mais intensas entre o visual e o sonoro. Não duvido que uma reunião de artigos que contem esta mesma história em um livro não demonstraria perspectivas bem diferentes.

Pensando nisso e em muitos outros problemas entre os pesquisadores de audiovisual e música, criei o GRUPO ABERTO DE PESQUISAS DE VÍDEOS MUSICAIS, ou pela sigla horrorosa, GAP-VM. Bem, este é uma lista de discussão livre para que a galera se apresenta e conheça as pesquisas um dos outros. Assim, ao invés de nós, estudantes de videoclipe, pesquisarmos sozinhos cada um no seu estado, possamos discutir juntos nossa produção e garantir que cada um tenha uma perspectiva bastante autêntica.

Quem for pesquisador ou conhece alguém que se interessa, vai fazer monografia, trabalho de conclusão, o que for, basta se convidar por comentário pelo blog aqui. Será muito bem vindo.

Texturas em mutação (Intercom 2010 – UCS)

Quem estiver pela UCS durante a Intercom vai poder participar do Grupo de Pesquisa Televisão e Vídeo, no qual vou apresentar o artigo Texturas em Mutação: a baixa definição dos vídeos para web.

Eu escrevi este texto a partir deste vídeo da banda Chairlift, dirigido por Ray Tintori:

Repararam que eles usaram a falha de codec que ocorre em vídeos compactados em DivX como opção estética?

Minha apresentação será dia 4 de setembro, segunda-feira, das 9h às 12h, no bloco H, sala 105, na UCS, em Caxias do Sul.

Na mesma mesa, também haverá apresentação do artigo Figuras de tempo seta em panoramas televisivos, que escrevi em co-autoria com a Dra. Suzana Kilpp.

Vale a pena conferir a lista dos trabalhos do GP, pois tem outros 4 artigos sobre vídeo clipe.

O resumo do trabalho:

A necessidade de reduzir a definição dos vídeos para internet (para que carreguem mais rápido) cria deformações visuais. Essa situação, que por anos incomodou muitos videastas, hoje provoca artistas a se apropriarem da baixa definição como opção estética. O presente artigo se propõe a apresentar um breve panorama de como se chegou a esta situação, através de um ponto de vista filosófico, técnico e estético.

Palavras-chave: audiovisual; música; estética; tempo; vídeo clipe.

Resumo de “Traduções audiovisuais de 4’33’’ para web.”

Essa semana não conseguimos ler a tempo para nosso PodCast, mas resolvemos então fazer um resumo, ainda que algo se modifique.

Traduções audiovisuais de 4’33

Gabriel Saikoski
Marcelo Bergamin Conter

Este trabalho pretende investigar as condições de possibilidade de tradução audiovisual da peça 4’33’’, de John Cage (1952). Atualmente, no YouTube, encontram-se dezenas de vídeos que são descritos como execuções e variações da peça. Nosso intuito é, a partir de possíveis compreensões do que seja a peça, verificar o que acontece em suas atualizações audiovisuais. De seu devir, o que fica menos potente na tradução, e o que surge como novas potencialidades?

VideoSong: o Dogma95 do YouTube

O protótipo de filósofo gaudério, Gabriel Saikoski, me apresentou a dupla Pomplamoose, formada por Nataly Dawn e Jack Conte (Será que é meu parente?).

Repararam que tudo o que acontece na trilha sonora aparece também na visual? Acontece que Jack Conte desenvolveu um padrão de edição e produção musical em que ele grava em vídeo a si e a Natalie no exato momento em que foi tomado o registro em áudio. De acordo com o rapaz:

“Um VideoSong é uma nova mídia com duas regras: 1. O que você vê é o que você ouve (nada de playback das vozes ou dos instrumentos). 2. Se você ouve algo, ao mesmo tempo você vê isto (sem sons escondidos). [tradução minha]”

Não me pareceu ser tão seguido à risca, mas mesmo assim, todos os vídeos da dupla possuem este estilo de compor o vídeo. O que eu achei mais legal é que é a primeira vez que um produtor audiovisual declara que produz vídeos dessa ordem. Mas não é novidade! Esse vídeo me lembrou muito o vídeo Amateur, de Lasse Gjersten, que eu estudei no meu trabalho de conclusão, em 2007. Será que Jack Conte não se inspirou nele?

Não quero entrar naquelas discussões desnecessárias de quem chegou primeiro. Esse estilo VideoSong de Conte, a bem da verdade, está presente numa penca de vídeos na internet que surgiram antes, e todo mundo sabe disso muito bem. Ou preciso citar MC Jeremias, Funk da Menina Pastora, Chaves Suey…? Tá certo que, à risca, não é o VideoSong que Jack Conte propõe. Mas a proposta é muito similar. E reparem que estes são exemplos brasileiríssimos!

A Pomplamoose também tem suas próprias músicas:

E eis aqui, aparentemente, o primeiro VideoSong de Jack Conte:


Nataly Dawn também tem seu próprio canal no YouTube, e ela também segue à risca as regras do VideoSong. Olhem que bela parceria com Lauren O’Connell, mais uma destas musicistas de YouTube (amiga da Julia Nunes, mais uma!

Traduções audiovisuais de 4’33”

São muitas as versões de 4’33’’ para web. Mais do que uma homenagem, eles estendem para o mundo virtual a inquietação e a proposta de indissociabilidade de sujeito-objeto de John Cage. E isso que a coleta só conta com vídeos hospedados no YouTube! Outra coisa interessante é notar muito uso de humor e sarcasmo nas interpretações. O silêncio constrange!

Não conhece a peça? Melhor ler antes a Wiki sobre ela!

How to Play 4’33” by John Cage.
Se eu fosse gordo, provavelmente seria como o músico deste vídeo abaixo. De resto, cabeludo, de óculos, barbudo e cara de pau ambos somos.  Ele elaborou um tutorial sarcástico de como tocar a peça. Reparem que, na descrição, ele assume ter cometido três erros durante a execução.

4:33” Andres Torres
Uma das poucas performances que eu encontrei na web que foram registradas ao ar livre. Vale lembrar que a execução original da peça, pelo próprio Cage, foi no Central Park (corrijam-me se estirver incorreto). Notem que também há um certo sarcasmo nesta apresentação.

4’33 Mario Paint Rendition
Esse é um dos meus preferidos. Em 1992, a Nintendo lançou o cartucho Mario Paint para Super NES. Nele, tinha um compositor de partitura. 15 anos depois, o uso desse compositor virou febre entre os internautas, que montavam versões de tudo quanto era música e publicavam no YouTube. Eis que alguém cria, provavelmente, a primeira execução de 4’33” eletrônica orquestrada e regida por ninguém mais ninguém menos que Mario.

4 Minutes 33 seconds
Esta me parece ser a interpretação mais “neutra” para uma versão audiovisual da peça.

4’33” – A Documentary
Um jovem regente, uma orquestra jovem, e espectadores ainda mais jovens. Qual a reação que crianças podem ter desta peça?

A Rendition of John Cage’s 4’33”
Mais uma adaptação de tom sarcástico, e talvez de longe a mais cara de pau. Uma dupla de músicos executam a peça num barzinho.

Violão e bongô

Moonfish playing John Cage’s 4’33”
Ok, se peixinhos podem executar 4’33”, qualquer coisa pode! Bem, mas essa é exatamente a proposta de Cage! Convenhamos, mesmo que a peça seja genial, ele não passava de um bobalhão.

4 minutes 33 seconds by John Cage
Uma amostra de que a execução desta peça pode gerar muita diversão para bebedeiras com a galera em casa.

O próximo passo é escrever sobre tudo isso. Aguardem!