Lançamentos do livro

Fiquei muito satisfeito com os dois lançamentos do meu livro, primeiro na Intercom, em Manaus, depois no Bar da Pinacoteca. Abaixo uma foto feita por Marcello Silva de Paulo lá na UFAM. Reparem que na esquerda da imagem a Immacolata estava autografando o livro do grupo de pesquisa dela, o que atraiu mais pessoas para ao menos folhearem o meu livro e o do GPESC, ambos publicados pela Editora Kazuá:

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Já na Pinacoteca foram muitos amigos de Porto Alegre prestigiar a função. Agradeço a presença de todos!

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Release e booktrailer do livro “Imagem-música em vídeos para web”

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Não seria nenhum exagero afirmar que o site de compartilhamento de vídeos Youtube é peça fundamental para compreender a cultura contemporânea. Funcionando como um mapa de tudo que se produz em termos audiovisuais, suas características vão de encontro com o próprio princípio da internet, a produção e distribuição independente de conteúdo. Não admira, portanto, que grande parte do material disponível no site seja da apropriação de vídeos que se tornaram famosos, os chamados memes, transformando-os em algo inesperado. É o caso do vídeo MC Jeremias, que utilizou programas de edição para transformar uma reportagem sobre um jovem bêbado numa delegacia em um grudento funk batidão. A profusão desse tipo de atitude, iconoclasta e motivada por um espírito de criação, foi o que motivou o acadêmico Marcelo B. Conter a escrever o livro Imagem-Música em Vídeos Para Web, com lançamento no mês de Agosto pela Editora Kazuá.

O livro, resultado da dissertação de mestrado de Marcelo em Comunicação pela UFRGS, aborda vídeos que surgem através de processos caracterizados como remixagens audiovisuais. Assim como na música eletrônica, os vídeos que o autor utiliza como material de análise, são produto de mash-ups, ou seja, da combinação de materiais dispersos pelo Youtube para formar algo diferente. Mas o que há de novo em relação aos mash-ups e samplers tradicionais é a relação inseparável entre a imagem e a música, daí o título do trabalho.

Imagem-música, o conceito trabalhado por Marcelo para definir esses vídeos, vem da insólita relação entre a filosofia francesa de Gilles Deleuze e Henri Bergson, com os métodos anárquicos e dispersos característicos da internet. Pode parecer estranho, à primeira vista, esse casamento, mas a partir das ideias desses filósofos não só é possível compreender os modos de produção de um gênero cada vez maior de vídeos presentes no Youtube, mas também delinear de que modo nos relacionamos com a cultura contemporânea e os artifícios de criação em seu interior.

Marcelo, que também é músico e produtor audiovisual, não se prende às velhas definições e separações entre alta e baixa cultura. Compreende os vídeos na web como um contínuo, capaz de abarcar manifestações como o Funk da Menina Pastora, as diversas paródias de 4:33 – peça musical de John Cage que consiste em quatro minutos e 33 segundos de pausa –, ou os métodos inovadores de composição musical da banda Pamplamoose, onde cada trecho musical tocado é acompanhado por um vídeo correspondente, formando uma verdadeira sinfonia pop audiovisual.

Com lançamento marcado para o dia 14 de setembro, no bar Pinacoteca (rua da República, 409), o livro de Marcelo B. Conter é peça fundamental para compreender nosso tempo e cultura, provando que mesmo dos lugares mais inusitados existe espaço para reflexão e filosofia.

Haverá cópias do livro à venda no lançamento, e em breve no site da Zun.

Por André Araújo

Ruído, ruído por todo lado! …reverberando e ressoando…

Quando se trata da área de Comunicação Social, às vezes eu fico com a impressão de que há dois termos que não são problematizados o suficiente: RUÍDO e SILÊNCIO. Há, claro, teorias na área que apresentam questões relacionadas a ambos, mas o que me parece que falta é um estudo mais GLOBAL, que enfrente o desafio de compreender ambos os fenômenos em diferentes áreas, não só na música, nas sonoridades e oralidade, mas suas outras possíveis manifestações que podem ser, sim, visuais, táteis, olfativas e talvez até gustativas!

Não há dúvida, no entanto, que o caminho de entrada para o desafio de compreender melhor o que é (ou pode ser) ruído e silêncio se dá pela pelo som. E se o leitor tem interesse nessa área, ou até estuda música pop ou audiovisual, tenho duas excelentes sugestões de leitura. São os livros Reverberations e Resonances, ambos derivados de trabalhos apresentados em um congresso sobre ruído na Universidade de Salford, Manchester, ocorrido em 2010.

Ambos os livros abordam o ruído em suas mais diversas concepções. Reverberations, o primeiro a ser publicado (2012), foca na filosofia, estética e política, como seu subtítulo promete, mas também o discute no audiovisual. Os temas por si só já surpreendem, como, por exemplo, um estudo sobre amusia, uma espécie de doença neurológica em que o paciente é incapaz de reconhecer a música como tal – ele a percebe como ruído, e qualquer gênero musical o incomoda profundamente. Benjamin Halligan, um dos editores das publicações, escreve sobre o uso do ruído como agente de sentido quando as palavras não são capazes de significar, de explicar um determinado fenômeno afetivo. Por sinal, há vários capítulos que abordam procedimentos sonoros em salas de cinema para provocar efeitos que o visual não é capaz, por exemplo, o uso de ondas sonoras mais graves do que o ouvido é capaz de ouvir, mas que fazem vibrar nosso corpo e causar sensações de perigo e mal estar. No extremo oposto da faixa de frequência, Robert Walker escreve sobre Cinematic Tinnitus, uma versão audiovisual do zumbido auditivo, outro recurso para fazer o espectador sentir mal estar através do som. Estudos como esses fazem falta numa área que ainda engatinha na compreensão dos seus fenômenos sonoros, que ainda usa Schafer e sua paisagem sonora como muleta para conseguir pular do visual para o sonoro utilizando terminologias que se referem ao visual para compreender o sonoro (essa foi uma provocação medíocre sem base científica, estilo mesa de bar. Aceito críticas).

Reverberations também apresenta reflexões relevantes sobre o silêncio, e mostra a complexidade da dicotomia que este termo faz com o ruído. Às vezes, silêncio pode apenas significar um ambiente em que os ruídos são baixos o suficiente para não nos incomodar, assim como ruídos constantes podem ser importantes para anular ruídos indesejados, gerando, assim, um ambiente “silencioso”. De fato, John Cage já dizia, não existe silêncio total: se você entrar na sala com o melhor isolamento sonoro do mundo, vai acabar ouvindo sua circulação sanguínea agindo nas frequências graves e o seu sistema neurológico nos agudos. Sim, o corpo é uma orquestra sinfônica!

Este ano, 2013, saiu o segundo volume, Resonances, que aborda ruído e música contemporânea. Este particularmente tem me interessado mais, pois tem muitos capítulos que se relacionam com o tema da minha tese. Pra quem aí é pilhado em música pop, este é o livro: encontrei análises muito interessantes sobre MC5, Beatles, Lou Reed, My Bloody Valentine, The Who, e até lo-fi Neo-Zelandês!

Um dos editores, Nicola Spelman, escreveu sobre o famigerado Metal Machine Music, o disco mais bizarro da carreira de Lou Reed, no qual o papai dos indies compôs uma sinfonia de microfonias. Só isso e nada mais. Se você acha isso loucura, imagine que TRANSCREVERAM essa bagunça toda em partituras e executando com instrumentos de orquestra! Esse é o tipo de informação que ambos os livros nos apresentam, acompanhados, é claro, de boas reflexões.

Benjamin Halligan também tem um artigo publicado neste volume, desta vez pensando no shoegaze como a terceira onda do psicodelismo. Se na década de 1960 tivemos o acid rock (rock psicodélico) como representante do Summer of love, e a acid house (dance music) na década de 1980, a virada da mesma década para a próxima apresentaria o shoegaze como o terceiro movimento psicodélico da música pop, incorporando elementos dos precedentes como a repetição incessante de elementos melódicos, ruídos e drones, direcionando para uma viagem lisérgica à base de muita distorção, feedbacks, delays e sintetizadores.

George McKay toma como tema um assunto recorrente na imprensa especializada: na mesma medida que nossos ídolos envelhecem, vemos que estão todos ficando surdos ou com problemas sérios de audição. Já Michael Goddard nos apresenta o longínquo e ainda (morto)vivo movimento lo-fi que ocorreu na Nova Zelândia em 1980, com bandas de rock chicletão e guitarrinhas. Eu mesmo virei fã do Dunedin sound. Para os interessados em sons fora do eixo UK-US, recomendo acessar o site da Flying Nun, a principal gravadora do gênero.

Vale dizer ainda que o congresso do qual derivou ambos os livros também contou com os brasileiros Vinícius Andrade Pereira, José Cláudio Siqueira Castanheira e Rafael Sarpa. O trio fez shows no congresso: juntos formam a banda Simbiotecnoises. Castanheira publicou um capítulo em Reverberations, e Sarpa em Resonances.

E nem apresentei todos os capítulos. Ambos os volumes são enormes, e tem sido ótimos para eu conhecer gêneros musicais, filmes, abordagens teóricas e cenas musicais que eu não fazia ideia que existiam. Nada melhor que atualizar-se com uma boa leitura!

Referências:

GODDARD, M.; HALLIGAN, B.; HEGARTY, P. Reverberations: the philosophy, aesthetics and politics of noise. Norfolk: Continuum, 2012.

GODDARD, M.; HALLIGAN, B.; SPELMAN, N. Resonances: noise and contemporary music. Norfolk: Bloomsbury, 2013.

 

Mashups audiovisuais para web: para além da linguagem do videoclipe

Está publicado nos anais da Intercom 2012 mais um artigo, escrito a seis mãos. As outras quatro pertencem à Luiza Pimenta e Camila Daniel (duas mãos para cada uma, caso estejam curiosos), alunas de graduação em Comunicação Social na UFRGS.

Acesse clicando aqui.

Dissertação “Imagem-música em vídeos para web” no Lume

Quem quiser pode ler a minha dissertação em PDF. Basta acessá-la na biblioteca digital da UFRGS:

Imagem-música em vídeos para web.

RESUMO

A presente dissertação propõe-se a investigar os modos com que a música sobrecodifica a linguagem audiovisual em vídeos para a web, criando novos processos de significação e complexificando a virtualidade musical (compreendida aqui como a totalidade irrepresentável de imagens que a expressam). O site YouTube se estabelece como um lócus privilegiado para tal estudo, pois nele encontra-se uma quantidade significativa de vídeos musicais em que a música se manifesta em todos os elementos audiovisuais, interferindo nos processos de composição audiovisual (tanto na trilha visual quanto na sonora). O que pode deste encontro derivar são atualizações e potencialidades do virtual da música, manifestadas como imagemmúsica. Os vídeos que constituem o corpus são organizados em quatro categorias mais recorrentes, ordenados de acordo com a proximidade que têm com a linguagem do videoclipe, o que permite perceber como, progressivamente, nos vídeos para web, está ocorrendo um processo de autonomização da imagem-música: mashup audiovisual; sampling audiovisual; spoof de shreds; auto-tunning. Essas práticas já estavam contidas, em potência, em audiovisuais anteriores, no cinema, na televisão, na videoarte, no videoclipe – e também nas práticas da música eletrônica –, mas somente na web elas conseguiram se manifestar a pleno. Como referencial teórico para compor o modo como será observado o fenômeno, utilizar-seão as teorias do filósofo Henri Bergson para compreender a virtualidade da música; de Gilles Deleuze, para entender os processos de significação que a sobrecodificação da música exerce sobre o audiovisual, e como ela movimenta suas estruturas através de tal processo; de Nicklas Luhmann, para compor um ponto de observação para os vídeos musicais para web diferente do que tradicionalmente se dirige ao videoclipe televisivo; e de Vilém Flusser, para compreender a natureza das imagens técnicas. Conclui-se que os vídeos para web estudados efetivamente se apartam da lógica do videoclipe televisivo, parte por não dialogarem com a lógica da indústria fonográfica, parte porque a música é resultado da montagem, e não o contrário, como ocorre normalmente em videoclipes; além disso, evidencia-se que a música é capaz de imprimir algo de si nos audiovisuais estudados, e que está ocorrendo uma tendência para a diluição da distinção entre arte figurativa e música: através desses vídeos, mostra-se possível a produção de música imaginativa, derivada da reciclagem de material audiovisual disponível na web.

Retromania e o fim das vanguardas: comentário do mediador

Fui entrevistado há duas semanas para o caderno Mais Preza, do Correio do Povo. Queriam que eu dissesse como eu achava que seria (ou como está sendo) a música de 2012. Segue, abaixo, todas as minhas considerações que não foram publicadas no jornal, e que penso que conectam com o tema abordado pelo Clube do Pop na Semana Acadêmica da Comunicação da UFRGS.

Tem um livro do Simon Reynolds, que é um crítico muito famoso de música popular, recém lançado e intitulado Retromania, no qual ele defende que a música da nossa época está viciada em olhar para o próprio passado. Entre vários exemplos, ele cita a Adele como um revival de várias outras divas do R&B do passado. Então ele diz ainda que a última década (2001-2010) não emplacou um estilo musical que a marcasse, como o grunge e o eurodance na década de noventa. Eu acho válido e importante entender esse momento que estamos vivendo, e que não podemos negar que o que parece envelhecido tem valor de mercado.

O Vaccines, por exemplo, que é uma banda nova, fazendo um clipe com fotos tiradas pelos fãs e publicadas no instagram; ou a carreira solo do Jack White, que segue aquele clima punk caipira do White Stripes, sem contar que ele está apadrinhando “crias bastardas” como a Black Belles, que podemos pensar como um White Stripes de calcinha. Temos exemplos também de 2011, mas que vão refletir muito o que deve se estabelecer para 2012: os discos de Noel Gallagher e do Beady Eye, tem respectivamente, o melhor do Noel e o melhor do Liam do Oasis em cada um. Ambos optaram por um caminho mais tranquilo, sem romper com o contrato que eles estabeleceram com seus respectivos fãs (bem o contrário do que o Radiohead fez no Kid A ou o Los Hermanos no Bloco do Eu Sozinho). 2011 e 2012 estão se marcando pela volta de grandes nomes: aqui em Porto Alegre, a Graforréia Xilarmônica recém lançou dois singles. E a volta deles é tal qual a de Beavis & Butt-head na MTV: extremamente conservadora em termos estéticos. Isso não quer dizer que é uma “saída fácil”. Fazer música nova mantendo muitos padrões estéticos e o interesse dos fãs é igualmente difícil a produzir um Kid A. O Foo Fighters também voltou dessa maneira, tentando soar como se estivessem em 1991. E conseguiram vários Grammys.

Voltando pro Simon Reynolds, teve mais uma coisa que ele disse: que talvez o gênero que melhor se consolidou como “da década de 2000” teria sido o indie rock, mas que ele não consideraria porque não atingiu o mainstream da mesma forma que o grunge conseguiu em 1990. Mas, será que não foi esse o grande mérito do indie rock dos 2000? Com o advento do MP3, dos tocadores portáteis digitais e toda a parafernália que nos permite levar no bolso mais de 1.500 discos, não teria ficado mais difícil chegar no topo das paradas? E o público não teria se segmentado, criando culturas de fãs as mais variadas?

Acho que não dá pra pensar “sucesso” hoje como se pensava há vinte anos. Como resposta a isso, eu cito o trabalho novo de Thurston Moore, do Sonic Youth, que após terminar com Kim Gordon (e consequentemente acabando com o Sonic Youth), encostou sua guitarra (e desta vez não em um amplificador) e gravou um disco com violões e violinos, e reinventou o pós-rock. Acho que é o mesmo caminho da PJ Harvey no seu disco Let England Shake, mais introspectivo. Parece que, para eles, depois de vinte a trinta anos de carreia, eles já estabeleceram todo um universo underground, que se opôs ao que estava como estabelecido, e agora esse underground também já se estabeleceu!

Desse modo, acho que uma possível tendência para a década de 10 que está começando é a seguinte: o indie rock, ou pós-rock, como queira, vai passar de um estado barroco (no sentido de tentar romper com o status quo) para um estado clássico. Eu acho que isso já está acontecendo, tem muita banda tocando nas pistas de dança e nas rádios cuja inspiração são bandas mais obscuras das décadas de 1980 e 1990. Pra mim um dos melhores exemplos é a banda The Joy Formidable, um trio galês que lançou ano passado o The Big Roar, seu primeiro disco, com muita energia e guitarras carregadas de drones (sustentação ou repetição incessante de uma mesma nota ou acorde) e ruídos, mas ao mesmo tempo respeitando o formato canção. Eles pegam o melhor do pós-rock da região deles, que é o cuidado maior com timbres ruidosos de guitarra em detrimento à melodias (característica do shoegaze), mas unem a uma estrutura mais radiofônica.

Me parece que vai ser uma época de muitas guitarras guturais, com muito reverb, ritmo dançante, e aquele efeito de rádio estragado nos vocais, como ocorre nos Strokes e todas as bandas que vieram depois, de The Killers a The Vaccines. O indie vai infectar todos os outros estilos.

Não acho também que não se criam coisas novas no atual período que o Simon Reynolds chama de “era retrô” (o Lev Manovich chama de “era remix”, então quem tem razão?)… Essa questão de o que é “original”, “novo”, “criativo” é super problemático e caro para a filosofia, mas não cabe discutir aqui… Se for pra pensar assim, Black Sabbath não era original, porque misturava blues com obscurantismo e poderíamos pensar assim de tudo o que ocorreu na música. Isso acontece porque a gente reconhece e interpreta uma imagem que vemos no mundo a partir de imagens que temos na memória, então algo “novo” sempre remete a algo “velho”.

Eu penso que as bandas de hoje, de 2012, são tão criativas quanto as anteriores, e acho muito mais difícil fazer rock agora porque temos muito mais imagens na memória do que é rock do que tínhamos em 1969. Se for necessário exemplos, eu ilustraria com Vampire Weekend, de novo com o Thurston Moore e a PJ Harvey, MGMT, Mark Ronson, Gorillaz, LCD Soundsystem e Arcade Fire. Dá pra se reconhecer os intercessores de cada um, mas ao mesmo tempo pode-se reconhecer em cada um desses artistas muitas características novas, digo, mais desprendidos de imagens antigas, e mais do que aparenta.

A música de 2011 e 2012 é muito mais do que Adele e Foo Fighters.Não podemos nos deixar levar só pelo mainstream.

E pra fechar, talvez seja isso que o indie rock dos anos 2000 vai nos mostrar: que o mainstream não comporta mais as vanguardas, como ocorreu com o grunge e o Radiohead. Graças ao acesso facilitado à música atual, os movimentos de revolução da música pop voltarão a ser minoritários.