A produção musical nos canais do YouTube (3/5)

Quando se trata de blogs, uma das definições mais aceitas entre pesquisadores é a da organização cronológica: “as últimas atualizações aparecerem no início do site e as mais antigas abaixo, e cada bloco de texto é obstinadamente encabeçado pela data (e horário) da publicação” (SIBILIA, 2005, p. 48). Nos canais do YouTube, a ordem cronológica está lá no registro de cada vídeo, mas não é relevante para os músicos. O vídeo atual é destaque, mas os antecedentes não aparecem em ordem cronológica na barra direita. E mesmo que estivessem, pelo menos para boa parte dos músicos, não faria muita diferença – afinal, as canções devem ser atemporais – o usuário navega pelos vídeos dos canais como navega por um CD, de faixa em faixa.

Mas há também os músicos que tentam evidenciar uma cronologia em seu trabalho, como exemplo do canal Songs from a hat, de Abby Simons, cujo projeto, finalizado, utilizava um método de criação de músicas desafiando seus assinantes: em vídeos musicais de periodicidade semanal, sugere ao espectador inserir um possível título de música nos comentários do vídeo. Na semana seguinte, ela imprime os títulos sugeridos em tiras de papel, as coloca em um chapéu, e sorteia uma, que será tema e título de uma música que ela deve compor e publicar no YouTube em uma semana. O projeto terminou no 35º episódio. Sabendo que o YouTube não indica a data dos vídeos, especialmente na busca, Abby os numerou em seus títulos.

Embora os músicos tenham de recorrer a artifícios para explicitar que seu canal é um vídeo blog, no topo de cada vídeo aparece o nome do canal. Mesmo quando o usuário não acessa o canal, ele exerce sob o vídeo uma espécie de “entidade”, o significa, o emoldura (KILPP, 2005). Como acontece muito de um mesmo vídeo ser duplicado por outros usuários (o que acontece mais com digitalizações de programas da TV), funciona como uma espécie de assinatura do autor do vídeo, a garantia de que foi feito por ele.

Referências bibliográficas

KILPP, Suzana. Mundos televisivos. Porto Alegre: Armazém Digital, 2005.

SIBILIA, Paula. A vida como relato na era do fast-forward e do real time: algumas reflexões sobre o fenômeno dos blogs. Em Questão, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. 35-51, jan./jun. 2005.

 

 

 

 

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