A produção musical nos canais do YouTube (1/5)

Quando eu fiz a disciplina “Blogs e Ecadeamento Midiático”, ministrada por Alex Primo no PPGCOM UFRGS em 2010/1, produzi um artigo como trabalho final. O resultado será publicado online, neste blog, partido em cinco posts. Não há relação direta com a minha pesquisa “Imagem-música em vídeos para web”, mas colaborou no esclarecimento de algumas questões que tinha do YouTube.

Resumo: Esta sequência de posts observa canais de músicos amadores do YouTube de modo a compreender como o ambiente do site interfere na produção musical e nas estratégias dos músicos. Entendendo os canais como vídeo blogs, pretende ainda lançar um novo olhar para o YouTube ao encará-lo não só como repositório de audiovisuais, mas também como uma rede social onde amadores, livres da lógica da indústria fonográfica, criam novas práticas e estéticas musicais.

Enquanto assistia aos vídeos da dupla Pomplamoose, resolvi acessar seu canal no YouTube ao invés de pesquisar por busca ou por vídeo relacionado, como normalmente fazemos. Nele, é possível navegar entre suas produções, acessar o iTunes para comprar suas canções, descobrir as relações que estabeleceram com outros usuários do YouTube que também são músicos, ver o desenvolvimento do grupo a cada vídeo postado e entender melhor a proposta dos VideoSongs. Acabei descobrindo diversas coisas que a maior parte dos usuários não acessa.

É estranho notar como não se dá atenção para os canais do YouTube: a somatória de exibições de vídeos postados pelo Pomplamoose passa dos 53 milhões (dados de abril de 2011), enquanto os de visualização de seu canal mal passaram os 6 milhões. Essa relação é similar em outros canais de músicos. Mas são eles que evidenciam boa parte das inovações que a música vem sofrendo pelo portal. Daí a importância de não entendê-lo apenas como um repositório de audiovisuais.

Acontece que canais são ambientes que ficam um pouco escondidos pela navegação. A ação comum do usuário que busca por vídeos, independente de possuir login ou não é navegar pela busca ou por vídeos relacionados, sem acessar canais. E assim, raramente se entra nos canais de usuários. Mas para artistas o canal exerce uma função fundamental, reunindo todos seus trabalhos e criando assim um conceito mais forte para sua obra. Normalmente se ignora a questão de que o autor que publica um vídeo está, automaticamente, compondo seu canal no YouTube, que, por sua vez, independente das intenções desse usuário, acaba agenciando sentidos.

O autor de vídeos musicais é incentivado a produzir e a criar por motivos bem diferentes dos da indústria fonográfica. Ao postar um vídeo, espera-se que seja comentado, seja compartilhado, receba vídeos-resposta, incentive as pessoas a comprarem suas músicas no iTunes. Liberto da lógica da indústria fonográfica, agora, ele produz e pensa sua produção para uma rede social de compartilhamento de vídeos.

Aliás, a produção científica também ignora o fato de que o YouTube é uma rede social. No final do livro de Raquel Recuero (um dos poucos) sobre o assunto (2009), a autora cita algumas das principais redes, como o Orkut e o Twitter, mas não cita o YouTube, que atualmente é o segundo site mais acessado do mundo, só perdendo para o Facebook. É preciso lembrar que para postar um vídeo, para comentar, para receber atualizações por email, é preciso criar um login, que automaticamente cria um canal. E mesmo para o usuário sem login, que só assiste a vídeos, ele está vendo um resultado de artistas que produziram vídeos pensando nas possibilidades de compartilhamento e interação que o YouTube proporciona.

No próximo post, vamos tratar dessa ideia de encarar o YouTube como rede social.

Referências Bibliográficas

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.

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