O conceito do rock morreu, parte dois

Tive um bela repercussão do meu post sobre a morte do conceito do rock. O texto foi copidescado na íntegra (e com os devidos créditos!) e publicado no site http://pinikochic.blogspot.com/2010/07/hoje-e-dia-de-rock-and-roll.html.

Vou trazer para cá duas citações de lá sobre meu texto:

Vale aqui publicar um artigo do garotão Marcelo B. Conter, originalmente postado no https://imagemusica.wordpress.com/2010/07/13/o-conceito-do-rock-morreu/ , que nos deixa felizes (nós, a velha guarda) por saber que ainda existe gente assim, com o tipo de cabeça que jamais vai deixar o Rock ser jogado na cova rasa.

e, referente à morte do conceito do rock:

Nota do Editor: Não está não, Marcelão! Ainda há fogo sob as cinzas da mídia e um dia o incêndio volta, queimando a TV e as rádios nojentas que só querem saber de pagode, axé, sertanejo, funk e gospel – os Cinco Cavaleiros do Apocalipse Musical!

Talvez seja válido alguns esclarecimentos. Eu não sou um protetor do rock. Esse estilo nasceu num cenário multicultural, rizomático, e quando falo de rizoma não tem nada a ver com raízes; não existe uma raiz roqueira: ele nasce da diferença, nasce marginal. Minha coceira reside na centralização do estilo. Os melhores trabalhos de rock nunca foram no mainstream. Os Mutantes, por exemplo, só foram entendidos pelo público brasileiro anos depois de seu fim. E a carreira solo genial de Arnaldo Batista até hoje é ignorada. Nirvana, Los Hermanos, Radiohead são ótimos exemplos de bandas cujos filés são as obras mais marginais: não Nevermind, mas In Utero; não o Ana Júlia, mas o Bloco do Eu Sozinho; não o Pablo Honey, mas o Kid A.

Quando eu falava do choque, falo de uma produção de diferença, novamente. Tu não pode chocar fazendo algo que é aceito docilmente. É preciso alguma subversão. E o pagode, axé, sertanejo, funk e gospel não fazem isso. Poder-se-ia dizer isto do Funk, mas o choque do funk é socialmente aceito, especialmente porque não é um choque musical, é um choque moral. Uma música do Sonic Youth sim é um choque musical. Esse cinco estilos musicais pegam um público que nunca ouviria o rock – e ainda bem, pois o dia que o rock for o estilo hegemônico, ele não vai ser o que ele é agora.

Por fim, torno a dizer que o conceito do rock morreu. Ainda existe o rock, mas ou é o rock tocando em nós (a música se faz no homem, nós não fazemos música – mas isso é outro papo), ou é o que dizem ser rock – aquele mamão com açúcar do Restart. É rock? Pode ser, mas sem o conceito de rock, aquela ‘veia’ que tem no Lou Reed.

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