O conceito do Rock morreu.

Quando algo ganha um dia para ser lembrado, é porque está sendo esquecido. Será que isso está acontecendo com o Rock? Nem fodendo! O problema é que quem faz rock hoje é um bando de cagão, gente que assume fazer Happy Rock. O rock é um estilo musical feliz por natureza, mas feliz num Iggy Pop Style, não vestido feito um Ursinho Carinhoso. A impressão que eu tenho é que para ser rock, basta usar um Boss DS-1.

Se algo morreu, é a postura do rock. Não temos mais travestis machões como Bowie, e sim homenzinhos afeminados como Restart (leia-se Hey, Start, como os próprios membros da banda pronunciam). Sumiram representantes do que Carlo Pianta chama de rock burro, bandas papo reto como Kiss, Black Sabbath.

O rock cometeu sua maior falha: entrou na onda do política e ecologicamente correto. Os roqueiros de hoje não querem dirigir nem Hummers nem Harleys; querem andar de Smart. A fumaça vem da chaleira, para preparar um chazinho verde. O óculos escuro não é por que faltou colírio. A máscara da falta de afinação, se uma vez era o grito, hoje é o auto-tune (Ouvir Cine e o Uo-ô, Ô-O deles).

Rock sempre foi muito mais postura e choque do que falar de amor (nesse sentido, a carreira solo de Paul McCartney é bem pouco roqueira). Como Walter Benjamin fala de Chaplin, o Rock também foi muito mais eficiente que o Dadaísmo na hora de produzir choque, e que é de ordem tátil.

Até quando o rock queria passar uma mensagem ele mantinha uma postura de produzir choque. Ele muitas vezes foi capaz de produzir choque para si. Lembram do Radiohead em Kid A, ensinando que dá pra fazer rock sem guitarra? Ou do Los Hermanos, que provaram que bunda moles também podem tocar rock; e os Ramones, provando que gente feia também pode ser estrela; dos Mutantes, mostrando que uma música pode ser feita com cacos de outras músicas; Do White Stripes, sem baixista; da Musical Amizade, sem baterista.

Pra mim o rock começou a morrer com o nu-metal. Quem precisava de um novo metal? Aliás, que metaleiro aceitaria o uso de scratch num metal? O metal é o subgênero mais conservador do rock, e ao mesmo tempo o menos erudito. O Gabriel Saikoski bem dizia: os caras aprenderam a ser virtuoses da guitarra executando fugas do Bach só para masturbar as suas guitarras.

Termino esse papo de boteco falando de videoclipe, que é minha praia: se o rock começa a morrer com o nu-metal, começa a definhar com o YouTube. O rock foi o gênero que mais contribuiu para a criatividade em video clipes. Falo de Strawberry Fields Forever, Heart-Shaped Box, Fell In Love With a Girl, Let Forever Be, Sabotage, Bohemian Rapsody, Beat It. Mas com o YouTube o que aconteceu? O mercado passou a pensar que ninguém mais queria ver videoclipe na TV. Aí passaram a fazer clipe só do que dava muito dinheiro: Beyoncè, 50 Cent e Lady Gaga. Como essa galera não é nem um pouco dadaísta, se foi o choque, se foi a postura rock no mainstream. O rock, ao menos conceitualmente, pra mim, está morto. Olhem só quem faz rock na MTV hoje:

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6 respostas em “O conceito do Rock morreu.

  1. Dá-lhe!

    Os caras são tão fracos, mas tão fracos que se eu não tivesse visto a foto pensaria que era uma banda com uma vocalista mulher. E outra coisa, como diz um professor amigo meu: “Essa gurizada é tão juvenil, que nunca foi numa boca comprar maconha”.

    É por essa e outras que esse cara aqui (http://bit.ly/9C9V1C) é muito mais foda!

  2. Pingback: Nó(i)s(e) no Disco Virtual #1 do Blog Volume [ClicRBS] « Musical Amizade

  3. cara, tive uma iluminação sobre este tema re-assistindo uns dias atrás ao filme “prisioneiros do rock”, com o elvis. o fim do country (como música pop lá…) e o começo do rock ligado a marginalidade, ta tudo ali, e a indústria que nunca foi boba….

    sou da geração que foi adolescente nos anos 80, que dormia pensando que a qualquer momento uma bomba nuclear poderia acabar com tudo e usava allstar porque era barato. que jogava games na tv, atirando em 3 quadradinhos na tela que imaginava ser uma nave inimiga. ouvindo que meus tios faziam carrinhos pra brincar feitos de lata de sardinha. talvez eles tenham achado os ataris coisa de fresco.

    gostei do teu texto, concordo com os argumentos mas nao com a idéia geral saca? o rock nao morreu. simplesmente acabou. desapareceu. nao teremos mais um new york dolls ou stiv bators (infelizmente), nao teremos mais gravadoras largando caminhões de $$$ e drogas pra um bando de doidos incrédulos e despreparados (era demais isso, queria ter frequentado o CBGB de 73 a 77 como rolei nos botecos da oswaldo aranha no bomfim em poa). mas foi isso mesmo que contribuiu pro fim.

    hoje ninguém vai querer ver algum artista vomitando de bêbado num programa de tv (bons tempos aqueles!). só temos que cuidar algumas coisas, como por exemplo: se vermos um punk com moicano andando na rua não se precipitar, pode ser um jogador de futebol.

    mas agora é memória, a música que rola hoje entre a gurizada é reflexo da geração deles, apenas sintoma. e se alguma “empresa” quiser uma “banda de rock” basta criar uma.
    (falando nisso se alguma queiser me contratar como consultor é só entrar em contato).

    grande abraço!

  4. Pingback: O conceito do rock morreu, parte dois « Imagem-música

  5. eu tenho 14 anos e sou viciada em rock’n’roll, desde do classic até o hard, e tenho vergonha por ser da minha geração onde idiotas ditam a música, fazendo besteira como o surgimento das bandas listadas acima, por isso todo dia rezo pra que minha geração crie verdadeiras bandas trazendo toda aquela loucura já vista, para que possamos encontrar razões para dizer aos nossos filhos: eu sou fã de uma banda de rock muito boa do meu tempo, que marcou história!!rock’n’roll forever!!!não deixaremos morrer!!

  6. Pingback: Os números de 2010 « Imagem-música

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