Resumo de “Traduções audiovisuais de 4’33’’ para web.”

Essa semana não conseguimos ler a tempo para nosso PodCast, mas resolvemos então fazer um resumo, ainda que algo se modifique.

Traduções audiovisuais de 4’33

Gabriel Saikoski
Marcelo Bergamin Conter

Este trabalho pretende investigar as condições de possibilidade de tradução audiovisual da peça 4’33’’, de John Cage (1952). Atualmente, no YouTube, encontram-se dezenas de vídeos que são descritos como execuções e variações da peça. Nosso intuito é, a partir de possíveis compreensões do que seja a peça, verificar o que acontece em suas atualizações audiovisuais. De seu devir, o que fica menos potente na tradução, e o que surge como novas potencialidades?

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VideoSong: o Dogma95 do YouTube

O protótipo de filósofo gaudério, Gabriel Saikoski, me apresentou a dupla Pomplamoose, formada por Nataly Dawn e Jack Conte (Será que é meu parente?).

Repararam que tudo o que acontece na trilha sonora aparece também na visual? Acontece que Jack Conte desenvolveu um padrão de edição e produção musical em que ele grava em vídeo a si e a Natalie no exato momento em que foi tomado o registro em áudio. De acordo com o rapaz:

“Um VideoSong é uma nova mídia com duas regras: 1. O que você vê é o que você ouve (nada de playback das vozes ou dos instrumentos). 2. Se você ouve algo, ao mesmo tempo você vê isto (sem sons escondidos). [tradução minha]”

Não me pareceu ser tão seguido à risca, mas mesmo assim, todos os vídeos da dupla possuem este estilo de compor o vídeo. O que eu achei mais legal é que é a primeira vez que um produtor audiovisual declara que produz vídeos dessa ordem. Mas não é novidade! Esse vídeo me lembrou muito o vídeo Amateur, de Lasse Gjersten, que eu estudei no meu trabalho de conclusão, em 2007. Será que Jack Conte não se inspirou nele?

Não quero entrar naquelas discussões desnecessárias de quem chegou primeiro. Esse estilo VideoSong de Conte, a bem da verdade, está presente numa penca de vídeos na internet que surgiram antes, e todo mundo sabe disso muito bem. Ou preciso citar MC Jeremias, Funk da Menina Pastora, Chaves Suey…? Tá certo que, à risca, não é o VideoSong que Jack Conte propõe. Mas a proposta é muito similar. E reparem que estes são exemplos brasileiríssimos!

A Pomplamoose também tem suas próprias músicas:

E eis aqui, aparentemente, o primeiro VideoSong de Jack Conte:


Nataly Dawn também tem seu próprio canal no YouTube, e ela também segue à risca as regras do VideoSong. Olhem que bela parceria com Lauren O’Connell, mais uma destas musicistas de YouTube (amiga da Julia Nunes, mais uma!

PodCast 3: Reprodução técnica de 4’33”

Clique e ouça na íntegra o PodCast 3. (clique com a direita para download)

O que acontece quando se faz uma reprodução técnica da peça 4’33” de John Cage? É neste desafio que eu e Gabriel nos envolvemos nesta sexta-feira chuvosa de abril. A gente ia na real discutir o texto “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, do Walter Benjamin, mas não encontramos muita produtividade no uso do texto para entender as traduções audiovisuais de 4’33”, com exceção de nos perguntarmos especificamente se estas versões podem ser consideradas reproduções técnicas da peça.

Conheça as traduções audiovisuais de 4’33” que encontramos no YouTube.

Novos construtos de tempos audiovisuais simultâneos no videoclipe

Frame de "Let Forever Be", música de Chemical Brothers e direção de Michel Gondry (1999)

Quando eu fiz meu trabalho de conclusão em 2007 (Unisinos, orientado pela Suzana Kilpp), analisei alguns videoclipes do diretor Michel Gondry, evidenciando seu meticuloso trabalho de articulação das trilhas visuais e sonoras. Neste artigo eu e Suzana conseguimos fazer uma aproximação dos estudos sobre música com os de audiovisual, trazendo ainda a filosofia de Bergson para dar conta das sincronias dos elementos audiovisuais. Esse artigo foi publicado em março de 2010, mas a revista saiu como de novembro de 2009.

Pra quem estuda novos métodos de montagem em audiovisual (Cinema, TV, web…), acho que vale muito a pena, pois nele revela-se parte dos truques desse grande diretor de cinema e vídeo que é o Michel Gondry.


Novos construtos de tempos audiovisuais simultâneos no videoclipe

CMC (Comunicação, Mídia e Consumo – ESPM – SP)
Vol. 6, No 17 (2009): Comunicação e representações do feminino

O artigo indica algumas tendências de atualização da imagem-música em videoclipes. Elas foram observadas na articulação das trilhas visuais e sonoras de três vídeos, todos dirigidos por Michel Gondry e produzidos entre os anos de 1996 e 1999, nos quais se encontra um uso muito criativo de tempos audiovisuais simultâneos. Esses são analisados na perspectiva teórica de autores que trabalham com o conceito de tempo relacionado à percepção e à memória. O artigo também toma por referência autores que pensam o audiovisual e a música em sua perspectiva técnica, estética e filosófica.

Palavras-chave: Videoclipe. Imagem-música. Michel Gondry. Tempos audiovisuais simultâneos.

PodCast 02: Zen e o Ocidente (Umberto Eco)

Clique e ouça o PodCast na íntegra. (clique com a direita para fazer download).

Foto criada em 2010-05-21 às 17.33 #2

Marcelo Conter e Gabriel Saikoski

O PodCast deste final de semana trata da influência do Zen Budismo na cultura ocidental da metade para o final do século passado, pelo menos assim foi até descambar numa discussão do que é “percepção”. O Marcelo pensando em Bergson e o Gabriel em Merleau-Ponty. Ao longo do tempo isso se resolve. Leia o fichamento do livro

Depois de nos aventurarmos em densa filosofia ocidental (e oriental), nossa “bofetada antiintelectual” é tocar um standard de Jazz sem critério algum. Dessa vez foi a música “Exactly like you” (Jimmy McHugh): http://soundcloud.com/imagem-musica/exactly-like-you-jimmy-mchugh

Os PodCasts est(ar)ão todos disponíveis gratuitamente para download na Last.fm: http://www.lastfm.com.br/music/Imagem-Música

Está curtindo o John Cage? Assista esse vídeo e conheça-o melhor. Ele fala sobre música e silêncio. http://www.youtube.com/watch?v=pcHnL7aS64Y

Referências bibliográficas

ECO, Umberto. Zen e Ocidente. IN: Obra Aberta. Perspectiva: São Paulo, 2007, p. 203-225.

MATTHEWS, Eric. Compreender Merleau-Pony. Ed. Vozes: Petrópolis, 2010.

A partitura de 4’33”

Pra quem não conhece, eis a aparentemente segunda edição da partitura de 4’33”. Ela é uma versão após a primière da peça, em 1952, Woodstock, New York:

http://www.medienkunstnetz.de/works/4-33/

Tem também ali uma descrição formidável da première, pelo próprio Cage:

As pessoas começaram a cochichar umas com as outras, e algumas foram embora. Eles não deram risada — eles somente se irritaram quando se deram conta de que nada iria acontecer, e eles não se esqueceram disso 30 anos depois: eles ainda estão irritados. [tradução minha] (source: Cage conversation with Michael John White (1982), in Kostelanetz 1988, 66, in: Solomon, Larry J.: The Sounds of Silence, in: http://www.azstarnet.com/~solo/4min33se.htm)

Dica para fichar livros

Sempre é um verdadeiro saco fichar livros, especialmente porque eles não param abertos por conta própria. Ao fichá-los, normalmente o seguramos com outros livros, prendendo embaixo do monitor do computador, ou até segurando numa mão só, e digitando com a outra.

Mas se você for músico ou tem um estande como o da foto em casa, não precisa mais se preocupar. o melhor é que ele fica no mesmo ângulo de leitura que o monitor.

Eu até recomendo comprar, pois sai mais barato que pagar por um tratamento de coluna.